sexta-feira, 23 de julho de 2010

DOENÇA


Há doenças que matam mais por dentro, que por fora.
Principalmente as que não têm cura.
Aquelas graves que te definham fisicamente; há as que te fazem perder alguns sentidos, e principalmente, o sentido de viver.
Umas fazem a pessoa voltar ser criança_ficam dependentes, sem consciência das coisas, vive apenas uma época da vida, geralmente o passado, e não reconhece nem mesmo parentes próximos.
Outros perdem equilíbrio, não param de tremer...
Doença independe da gravidade, sempre faz nos perguntarmos
E agora, como será minha vida?
É aprender a conviver o melhor que puder com o que não tem muita escolha.
Ou se adapta e tenta ser feliz como dá, ou desiste e espera a hora de morrer.
Durante o tratamento nem sempre estamos fortes, as forças de lutar acabam, a vontade de viver também, o desânimo nos abate.
É tão bom quando temos amigos e família que nos apóiam, acreditam em nós, na nossa vitória.
Quando precisamos de verdade, há tantos "amigos" que se afastam, pois acham que nunca voltaremos a ser como antes.
Apenas os verdadeiros ficam, ou outros novos se aproximam, e nos dão todo apoio que precisamos pra não desistirmos, cairmos.
Quando vimos alguém que amamos numa cama de hospital internado, com sonda para alimentar, pra fazer necessidades, tão frágil, precisando de cuidados, carinho.
Dá vontade de sair correndo, chorar até não agüentar.
Mas não dava, não podia, não era o que esperavam de mim.
Era preciso fingir ser forte pra não enfraquecê-lo mais, e segurar as lágrimas até sair do quarto.
É tanto sofrimento, chegamos a pedir a misericórdia divina,pois o sofrimento era dele (a) e dos que o rodeiam,ajudam e presencia cada dia seu definhamento.
É sair com coração apertado, pois não se sabe se o encontraremos ainda entre nós.
E ficar feliz quando vemos a pessoa ali, mesmo debilitada na cama na sala, ou respirando sozinha, falando, mesmo que tão baixinho quase não ouvimos.
Ver seu choro de felicidade, receber seu abraço forte de alegria, por estar novamente em casa, por ter saído do hospital e resistir á doença.
É tão emocionante, um misto de felicidade e tristeza, por ver quem amamos ter chegado áquele ponto.
Ver a pessoa que antes era forte e tão saudável se definhar de repente_ precisar de ajuda pra respirar, comer, usar sonda, e depois fralda, uma cadeira, pois nem consegue andar mais...
É tão horrível acompanhar tudo de perto, sentimentos de inutilidade á flor da pele, a única coisa útil é dar amor, atenção, carinho, e respeito, pra pessoa ter o resto de vida mais digna possível.
Sem arrependimento de não ter feito nada, nem mesmo o que podia e não fez, quando o fim chegar.
A família e o tratamento são fundamentais pra qualquer doente, em qualquer doença, pois eles nos dão saúde, força, apoio, amor...
E principalmente, esperança que tudo vai mudar que isso foi só engano médico, e logo ficará tudo bem.
Quando o fim realmente chega, não se acredita, mesmo sabendo que era tão previsível, ficamos sem reação, até uma hora que a ficha cai.
Aí só se acredita que acabou, quando o caixão aparece e caímos em si,
A esperança de todos durante todo o tempo de luta foi ao fim, e aquele caixão simboliza mais que isso,
Ele significa que grande parte de nós se vai junto daquela pessoa que tanto amamos.
O medo de perder outra pessoa que amamos é assustadoramente desesperador, dá vontade de chorar só de imaginar.
Quando tudo acaba aí que aquela pergunta se faz mais enfática e angustiante.
E agora, como vai ser?Como será minha vida?
As festas, datas importantes sempre dão certo vazio com a falta, as lembranças boas e ruins, sempre presentes.
Tem horas que parecem séculos, outras horas faz parecer que foi ontem que tudo aconteceu.
Superar?Nem sempre é possível, vai se levando a vida, vivendo da melhor forma, e tentando ser feliz.
Mas tudo fica ali, guardado em um canto da alma,e de vez em quando dói,faz chorar, sentir saudade, principalmente quando quem foi, era tão companheira.
Um dia talvez cicatrize totalmente, mas hoje ainda sangra, nem que seja um pouco.
Esse poema foi pensado não somente em mim, ou minha família, mas também em quem conheço, ou até desconhecidos, que sabem o que digo e senti.
Como é estar, ou ter alguém que ama doente, ou que já se foi.
Apesar de tudo, nunca percam a esperança, e fé em Deus, pois Ele sempre quer, e sabe o que é melhor pra nós.
E ambos nos dão força, e ânimo pra persistir.

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