segunda-feira, 20 de novembro de 2017

VIVIAN E O PODER DE LUTAR


Era um dia bem chuvoso e frio e Vivian se perdia em seus pensamentos sobre quem realmente era e para que razão estava nesse mundo, enquanto tentava ler um livro.
Vivian é uma moça trabalhadora, que desde muito pequena ajudava a mãe cuidar dos três irmãos mais novos. Ela muitas vezes deixava de brincar e se divertir para dar banho, comida aos irmãos, ou apenas distrai-los, enquanto a mãe cuidava da casa. Outras vezes ela cuidava da casa e a mãe cuidava dos menores. Ela sempre foi uma moça exemplar, pois sua mãe era muito rígida com ela e só começou a sair com colegas da escola, conhecer rapazes quando o caçula já passava dos oito anos de idade. Ela se tornou uma mulher triste, sem crença e sem esperança, ou motivação para ir atrás do que desejava, pois na verdade, ela nem sequer sabia o que realmente desejava. Ela se via sem rumo, sem perspectiva de vida. No entanto, ela não queria o mesmo destino da sua mãe, uma mulher solitária; frustrada com a vida que tinha e ela se culpava muitas vezes por ter nascido quando a mãe estava no auge da adolescência, sem nenhum preparo para a vida. Ela sentia ter atrapalhado a vida da mãe e Luiza também nunca lhe demonstrou afeto de mãe, o que fazia com que essa culpa e peso em seu coração só aumentasse, apesar de Luiza ter lhe dado comida, um teto, a vestiu e calçou, ela apenas necessitava urgentemente de carinho.
Webert, o caçula, era o mais apegado a ela, e ela em muitos momentos sentia-se como sua mãe e ia dormir em sua cama juntinhos, transferindo calor e amor  um para o outro.
Vivian é atendente de caixa num supermercado próximo a sua casa, assim não precisa gastar muito tempo e dinheiro com transporte e é tanto trabalho que não tem tempo para si mesma.
Ela espera um dia casar-se com um homem bom e ter um filho para cuidar.
Webert sempre lhe promete que será rico e lhe dará a vida que merece, pois ela é como uma mãe para ele e ela sempre se comove. Ele é sua inspiração para não desistir de viver, ela sente vontade de lutar para que ele se sinta orgulhoso dela.
Ela começou estudar e hoje está cursando pedagogia para quem sabe futuramente ensinar o que ensinava aos irmãos quando pequenos. Ela sabe que perdeu muito tempo em sua vida, mas nunca é tão tarde assim para começar algo, é o que Webert, seu maior incentivador lhe diz diariamente.
Sua desesperança foi desaparecendo e uma luz no fim do túnel apareceu, o brilho em seus olhos voltou depois de muitos anos apagados. Ela começou enxergar algo que sua alma já tinha esquecido: alegria, perspectiva de vencer. Ela voltou a acreditar. Quanto tempo irá durar não se sabe, mas enquanto ela tiver Webert contigo ela terá ânimo e força para alcançar seus objetivos, não deixar de sonhar.
Sua mãe e irmãos moram em outra casa enquanto ela alugou um quarto para morar e o irmão mais novo se juntou a ela. A relação com a mãe continua difícil, mas espera que um dia Luiza a perdoe e elas possam ter uma relação com mais cumplicidade, amizade. Ela e os irmãos tem uma relação de união  que ela nunca irá querer destruir.
Ela é uma nova Vivian, uma mulher que aprendeu sobre seus desejos, que tem metas, sonhos e que não abre mão deles por nada, exceto por Webert, seu filho do coração, por quem daria a vida, pois seu coração há muito tempo já pertence a ele.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

ELOÁ E O DOM


Eloá é uma menina que mora no interior de Minas Gerais, seus pais são separados desde o seu nascimento, pois seu pai sempre que bebia tornava-se agressivo até sua mãe não suportar mais tudo aquilo e fugir com a filha.
Sua mãe é diarista numa casa de um dos homens mais conhecidos e ricos da região norte do estado, mas mesmo assim ela  e Eloá passam por necessidade dentro de casa. A menina sempre fora privada de brinquedos caros, roupas e calçados de marca, sempre recebiam doações e eram gratas, pois Dione mal tinha condições de sustenta-las com o básico e pagar as contas da casa, como: aluguel, água, luz, gás, remédios quando a menina adoecia.
Eloá às vezes chorava em um canto de saudades do pai, mas ela também entendia que ele fazia mal pra elas, embora ainda tão pequena, já tinha passado por coisas que a fizeram amadurecer um pouco mais que outras crianças de seis anos.
Ela era séria, muito tímida, porém, ainda conseguia sonhar com um mundo mágico em sua cabeça e imaginacao de criança. Ela sonhava em trabalhar e ser muito rica igual as meninas que ela via na escola onde estudava durante o dia, para que sua mãe pudesse trabalhar tranquila. Ela poderia ter tudo que quisesse e daria um monte de coisas para sua mãe para ela sorrir de novo. Ela poderia até viajar para ver seu pai, que para Eloá, ele ainda era seu herói, apesar dele fazer as duas chorarem tantas vezes nas noites em que chegava embriagado em casa e quebrava quase tudo que tinham por qualquer motivo tolo. Ela ainda o amava e sentia falta dele, que era tão carinhoso e brincalhão com ela quando estava sóbrio. Eloá sonhava em ser médica para cuidar dos pacientes, fazer eles sararem, assim como fazia com sua boneca Carlota, que muitas vezes ela sujou de tinta e depois passava pano e limpava e dizia que sarou. Coisas de criança.
Dione ficava tão orgulhosa da filha e sempre a incentivava a sonhar, a acreditar que ela podia tudo se acreditasse em Deus, em si mesma, estudasse muito e fizesse sempre o melhor que pudesse.
 Eloá cresceu e estudou arduamente até conseguir passar para a faculdade federal de medicina. Dione ficou tão orgulhosa de sua filha que esse sentimento mal cabia em seu peito.  Ela continuava como diarista e o pai de Eloá tinha falecido um ano antes, devido a problemas no fígado, causados pelo excesso de álcool. Ele entregou-se ao álcool definitivamente quando sua filha foi tirada dele daquele jeito e infelizmente não teve força interior suficiente para lutar contra o vício, ou aceitar internação para se recuperar, invés disso, ele simplesmente bebia dia e noite até morrer.
Quando Dione soube culpou-se por ter afastado a filha dele, mas temia pela segurança das duas, por isso havia fugido para bem longe. Embora Eloá nunca tivesse culpado a mãe, ela se sentia mal por não passar mais tempo com ele, andava muito triste, queria desistir de tudo e ir para ver o pai pela última vez, no entanto, elas não tinham dinheiro para viajar. Elas estavam muito deprimidas e sofriam em silêncio, nada como o tempo para superar. Ela voltou a estudar com afinco e quando formou-se em medicina, ela soube que era um dom que Deus lhe deu e lutaria por seus pacientes com todo o amor que recebeu. Afinal, ser médico é cuidar do dom que Deus deu com carinho e o dela era ser uma médica carinhosa e dedicada aos seus pacientes. As vidas delas mudaram d'agua pro vinho e hoje ela é rica; dá tudo que pode para a mãe sorrir; porém, não poderá reencontrar seu pai um dia, mas ele estará sempre onde ninguém tira: seu coração.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

RAMBO-O CÃO GUERREIRO


Rambo é um cão chiuaua de pêlos negros e marrons. Ele é doce e brincalhão, mas quando se depara com um estranho ou cachorro grande, ele vira valente e enfrenta latindo, rosnando sem parar.
Um dia ele estava dormindo e logo sonhou. No sonho se transformou em um cão guerreiro e forte.
Rambo usava um lenço vermelho amarrado no pescoço e estava com sua família em um vale onde foram cercados por muitos lobos.
Estes rosnavam e todos estavam muito amedrontados, pois temiam ser devorados por  aquela alcatéia feroz.
No entanto, Rambo não ficou quieto, pois defenderia sua família até o fim. Ele rosnava e ia para o ataque tentando mordê-los usando toda sua força para machucá-los, e apesar dele ser tão pequeno e eles rirem dele, os lobos admiravam sua coragem e lealdade.
Muitas vezes os lobos o mordiam e o jogavam longe, ele porém, não desistia e voltava ganindo de dor e os enfrentava. O pai e o garoto tentaram afastar os lobos jogando  umas pedras que encontravam no chão, mas os lobos aproximavam deles e Rambo os defendia. A mãe e o bebê apenas choravam assustados. Todos gritavam: vai Rambo, nos salve. Você consegue!
Ele juntou todo esse incentivo, lembrou-se dos filmes de Jack Chan que assistia junto com o garoto e pulou no pescoço de um deles, mordeu depois fez o mesmo em vários outros até o restante desistir e irem embora.
Todos o abraçaram muito gratos por Rambo ter salvado as vidas deles. Durante o sono Rambo rosnava, mexia as patas e parecia muito bravo, mas quando ele acordou estava todo feliz depois de ser um guerreiro em seu sonho, embora ninguém em sua casa saiba.

sábado, 21 de outubro de 2017

O ANJO VIRA FERA



Aline é uma menina doce; alegre; tímida em algumas situações e está sempre sorrindo; faz o possível para agradar a todos ao seu redor e faz o que pode para que muitos gostem da companhia dela, embora depois que gostam ela não entende o porquê. Uma garota de aparência comum, simples, sem nada tão atrativo, é inteligente, mas isso nem sempre é suficiente. Ela gosta de viajar de ônibus sem destino; fazer trilhas até se deparar com lindas cachoeiras nas férias; ir para as baladas com as amigas; fazer churrasco em família; beijar sem compromisso; gosta de todo tipo de música; ama fazer suas aulas de Hip Hop e dança moderna, enfim, ama fazer vários estilos de dança. Ela trabalha todos os dias no auto-falante em um aeroporto e nos fins de semana dá aulas de dança gratuitamente para as crianças de seu bairro.
Embora pareça ser perfeita, ela é brava, às vezes má, do tipo que fica cega de raiva e é capaz de tudo quando essa raiva enfurecida aparece, embora tente se controlar. Ela é do tipo que não briga, não é de xingar, não é de chorar, mas acumula tudo dentro dela; raiva, mágoa, cansaço, stress... até que uma hora tudo junta e explode. Infelizmente sua família acaba pagando, pois ela fica revoltada por dentro e a amargura aparece em suas palavras.
 Aline um dia ficou tão enfurecida com seu irmão mais velho, Dean, porque ele a provocava dizendo que ela ficaria solteirona e dançando de bengala até ficar travada. Ela de repente começou a estapeá-lo, dar socos em seu peito até que ele muito espantado com a reação dela segurou suas mãos e mandou-a parar e ela não conseguia mais conter um choro convulsivo cheio de tudo que tinha restado dentro dela. Foi para o quarto, ligou o som no máximo e dançou expressando tudo o que sentia com as lágrimas caindo em seu rosto e quando já estava exausta deitou no chão e dormiu ali  com seu coração já limpo e puro como a inocência de uma criança.

sábado, 14 de outubro de 2017

ROXANE E CHRISTOPHER-PARTE 2


Como dito anteriormente, Roxane e Christopher pretendiam marcar um encontro e ele finalmente aconteceu. Em um bar onde podiam conversar tranquilamente, tomarem um suco e ouvirem boa música ao vivo.
Naquele lugar eles deram risadas, olhares se encontraram, afinidades apareciam e diferenças tambem. Explodia dentro deles uma satisfação enorme por estarem ali um com o outro e uma atração irresistível surgiu. Quando eles chegaram na casa dela, finalmente o beijo de tirar o fôlego aconteceu, mas também foi o beijo mais especial que ela já teve. Dali em diante, eles passaram a se encontrar várias vezes, ele preparava um jantar para ela em seu flat, e às vezes ela fazia algo para ele na sua casa. As famílias se conheceram e se gostaram. Começaram a namorar e ambos estavam felizes na companhia um do outro, ninguém pensava em casamento, pois, como estavam era perfeito. Quando havia algum tipo de discussão em que poderiam se magoar cada um ia para sua casa refletir e no outro dia conversavam e faziam as pazes. Ela saia com os amigos e ele com os dele, saia para jogar bola, tomar uma cerveja com os amigos... Cada um tinha seu espaço e quando estavam juntos faziam coisas para se divertirem. Roxane engravidou e foi ótima surpresa para ambos. Eles tinham maturidade suficiente para terem um filho, e guardavam um dinheiro para quando viessem os filhos. Apesar dela ser mais rígida e ele mais maleável, ambos concordavam quanto a educação da criança. Roxane cortou o cabelo; tingiu-o de preto, assim daria menos trabalho, já que não poderia usar químicas no cabelo; começou cuidar da alimentação e fazer caminhadas após o serviço. Filho muda toda a rotina de alguém, no caso dela foi para melhor, por enquanto. Ele começou a trabalhar mais; acompanhá-la no médico e exames sempre que podia; fazer as compras para chegada da filha. Emily nasceu linda e saudável. Ele cuidava do bebê tanto quanto Roxane, afinal, eram os pais dela. Quando Emily cresceu passava uns dias com ele, outros com ela, como se fossem um casal separado, mas estavam juntos e Emily acostumou-se com isso e era feliz assim. Na escola todos pensavam que seus pais eram separados, mas se davam bem e ela nunca desmentiu. Seus pais estavam felizes e raramente sentia uma tensão de briga entre eles. Ela descobriu que um casal pode ser feliz junto, embora não precisem morar juntos e dividir a mesma casa. Para Roxane e Christopher, essa relação simplesmente funciona, embora muitos os critiquem, mas eles estão bem assim.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

ADRIANE E O JARDIM AMALDIÇOADO


Adriane é uma moça simples e seu melhor hobby é cuidar do jardim de sua casa. Ela todas as manhãs cuida do jardim como se fosse um bebê, até conversa com as flores, deixando-as com pétalas lindas, um jardim exuberante. Porém, em uma tarde, na qual ela foi regar suas plantas como faz todas as tardes, parecia que haviam jogado um feitiço sobre seu jardim. As flores estavam murchas, as folhas das plantas secas e aparentemente mortas, mas quando foi tocar nelas todos pareciam criar vida de uma forma sinistra e misteriosa.
Elas começaram a se aproximar dela e uma das plantas prenderam as pernas e braços dela com a raiz a derrubando no chão enquanto folhas fechavam sua boca para ela não gritar.
As plantas puxararam-na para o porão e lá ela ficou presa até o amanhecer no dia seguinte. As plantas voltavam lindas para o jardim e lá ficavam até o fim da tarde. Um certo momento a mãe procurava pela filha aos prantos, sem saber o que aconteceu. A filha nunca saia de casa sem avisar. Eldora abriu a porta do porão, mas estava trancado e ela gritou pela filha, que não respondia. Ela tentou derrubar a porta, mas era inútil, então chamou o Seu Marcos que ensinou Adriane a cuidar do jardim. Seu Marcos confessou à dona Eldora que ele mesmo jogou o feitiço nas plantas quando o demitiram para fazer os gostos de uma garota mimada, porém, nunca imaginou que elas a sequestrariam.  Ele então falou umas palavras de bruxaria e jogou sobre o jardim e as que estavam no porão, através de um pequeno vitrô que dava para o jardim, um pó que fizeram-nas voltar ao normal. Ele pediu perdão e   salvaram Adriane. Elas o admitiram e ambos cuidavam do jardim juntos, agora mais por medo do que pela competência de Seu Marcos. Por que não chamaram a polícia para prendê-lo? Mas quem acreditaria nelas, visto que o jardim está perfeito? Às vezes é melhor conviver com o silêncio e com a insegurança do que falar demais e ser ignorado

sábado, 7 de outubro de 2017

ROXANE E CHRISTOPHER


Roxane é uma moça linda, que tem andado confusa com seus pensamentos. Ela não sabe se o que sente é apenas carência ou realmente está a fim de Christopher e não sabe se é recíproco o interesse. Ele é um rapaz simpático, educado e lindo, que ela conheceu no serviço dela como vendedora numa loja de sapatos.
Ela nunca foi do tipo baladeira e que sai por aí beijando todo rapaz que ela acha gatinho. Ela compreende e até inveja o tipo de vida de algumas, mas esse não era o tipo dela, não faz parte de sua personalidade, ou educação recebida dos seus pais. Na verdade, ela quase sempre só saia com eles e a irmã caçula.
O primeiro rapaz que beijou foi aos 20 anos e ela achou um pouco estranho. A maioria dos rapazes com quem ficou, que não foram muitos, ela encontrou na net, pois sua timidez e falta de crença nela mesma não permitiam que tomasse atitude quando se interessava em um deles. Sempre foi caseira e suas amizades virtuais  lhe fazem companhia quando não está trabalhando, estudando, assistindo tv, filme, ou conversando com os pais.
O dia em que ela encontrou os olhos de Christopher, ela pensou perceber algum interesse da parte dele e seus sorrisos, sua voz quando falava com ela nas poucas vezes que o atendeu dava a entender que ele estava a fim e isso a fez fantasiar vários encontros , conversas e beijos entre eles. Ela achava que estava enlouquecendo, que não parava de pensar nele e esperava encontrá-lo todos os dias na sapataria, porém, sempre voltava frustrada e decidida a esquecê-lo. Todavia, logo desistia e voltava a pensar nele novamente.
 Um belo dia recebeu um buquê no serviço e quando viu de quem era e leu a mensagem logo perdeu o ar, esqueceu-se de onde estava e seu sorriso transbordava felicidade, pois ali mostrava que ele estava tão interessado quanto ela e dali em diante  não teve nenhuma dúvida sobre o que sentia por ele. Eles começaram a conversar por telefone e mostrar quem eles realmente são e se encontrarão em algum momento. Se este encontro será como imaginaram, só eles saindo para saberem e verem no que vai dar... Talvez em um beijo no fim de tirar o fôlego

domingo, 1 de outubro de 2017

RUDI



Rudi é uma baratinha muito esperta, que mora com sua família de baratinhas, dentro de um closet, atrás de caixas de sapato, as quais os protegem do frio congelante, e de possíveis predadores.
Quando bate a fome, dona Rara sai em busca de alimentos no quarto das crianças, onde sempre se encontram pedaços de bolachas, bolos, doces, miolos de pão, assim ela levava o maior pedaço que conseguia para matar a fome dela e dos filhotes. Ela saia rezando para não ser vista por Gatolini, a gata da casa, ou alguém da familia, visto que eles mataram seu marido, o sr. Pando, com inseticida e chineladas. Quando chegava no esconderijo deles as baratinhas ficavam agitadas por causa da fome e da alegria e dona Rara precisava ser rígida com eles, ou nem ela comeria nada, pois sempre avançavam sobre o alimento. Rudi era sempre a que avançava primeiro e sempre dizia a sua mãe que quando fosse adulta se aventuraria e sairia daquela casa para conhecer o mundo que ela imaginava. Dona Rara temia pela coragem e audácia da filha, mas sabia que ela era capaz de tudo, portanto, nunca a limitaria àquele pequeno espaço em que viviam. Seus outros filhos nunca pensariam o mesmo, para eles aquela casa já era aventura o suficiente.
Rudi se despediu de todos e saiu pela noite muito cautelosa para que nem a gata, nem a família a vissem.  Quando chegou na rua foi um momento de muita adrenalina e medo, pois tudo era tão diferente e grandioso em relação ao que ela imaginava. Ela teve vontade de voltar para casa, mas não seria covarde, iria seguir seu sonho de conhecer o mundo, e se caso morresse no caminho ela estaria realizada por ter tomado a atitude de sair em busca do que sonhava. Rudi comia comidas de lixeiras que encontrava nas ruas, quando via algo ameaçador ela se escondia em bueiros, com nojo, mas era a única maneira de se salvar. Ela conheceu o rato Póquer, um ratinho vivido e experiente nas ruas e ele a ajudou a andar nas ruas, escapar das armadilhas que poderiam encontrar. Ela se sentia segura com ele e muito grata pela ajuda. Nas noites mais geladas eles iam para o bueiro onde ele morava e ali ficavam protegidos do frio e de predadores. Ela chorava de saudade e esperava um dia voltar e rever sua família, mas agora seguiria em frente. Ela conseguiu sair da cidade após agradecer Póquer pela grande ajuda e passou por vários lugares, onde num desses lugares encontrou Tartum, um barata  tão aventureiro como ela, e juntos saíram em busca de mais aventuras. Um dia ela voltou com ele para a casa onde ela morava e reviram os irmãos e suas famílias. Sua mãe infelizmente tinha morrido na procura de alimentos e depois ela foi ao bueiro para reencontrar seu amigo Póquer e seguiram os três em busca de aventuras mil. Vida de barata não dura muito, mas Rudie vive como quer e é feliz até quando der.

sábado, 30 de setembro de 2017

PABLO E CLARA-AMOR PELA DANÇA


Pablo nasceu no interior do Maranhão, numa família grande e humilde, que muitas vezes já passou fome, sem contato com internet, celular ultramoderno, ou roupas da moda. Pablo sonhava quase todos os dias que era um dançarino na academia de dança Bolshoi, um renomado bailarino, mas seus pais sempre diziam que aquilo não era trabalho pra homem, que ele tinha que acordar e trabalhar com o avô, que era sapateiro, que sonhar era perda de tempo e era frustrante, já que sair dali era impossível, visto que não tinham dinheiro pra comprar nem comida, imagina sair dali. Ele ficava muito triste e sua alma se afundava em desesperança.
Um dia o seu amigo Brian falou-lhe sobre um tio que estava vindo de São Paulo para revê-los, revisitar os locais da infância e que agora trabalhava numa escola de dança. Prometeu-lhe que falaria dele para o tio, e então Pablo voltou a ter esperança, que no fundo nunca morrera por completo. Quando o tio de Brian o conheceu e pediu-lhe que dançasse como nos seus sonhos, por incrível que pareça ele dançou com uma leveza e força de tirar fôlego. Parecia algo de Deus. Julio, o tio de Brian, ficou impressionado e conversou com os  pais de Pablo e  os convenceu a deixar o filho ir e investir nos sonhos que nunca devem morrer.
Pablo foi embora no dia seguinte após muito choro e abraços já saudosos. Ele ficou encantado com São Paulo e também amedrontado pelo seu tamanho e perigos. Chegando na escola de dança, que também tinha quartos para alunos que vinham de longe, ele se emocionou com a estrutura, era tudo tão novo para ele, que começou a dançar sem parar, pondo toda sua emoção ali.
Clara o viu e ficou emocionada com a dança dele, pois era lindo como se expressava. Eles ficaram amigos, contaram suas histórias de preconceito, mas ao contrário dele, os pais a apoiavam na dança.
 Ela veio do interior de São Paulo, ficava fascinada com todo tipo de dança desde pequena e vivia dançando pela casa. Começou dançar balé aos quatro anos, tendo que andar de ônibus cerca de quarenta minutos pela rodovia todo fim de semana para dançar. Todavia, ela era diferente das outras meninas, vestia roupa delicada de balé,  mas no dia a dia vestia-se com roupas despojadas, esportivas e largas, tênis ou bota e passou a interessar-se por garotas, o motivo do preconceito que enfrentou até chegar na capital. Ali ela percebia um pouco de preconceito, mas bem menor do que numa cidade do interior. Ali onde ela expressava tudo que sentia e o que queria sentir pela dança. Na verdade seus pais a incentivaram ir para a capital para dançar para não ter tanto falatório e olhares maldosos para a filha. Ela amou a escola de dança, pois ali podia fazer o que mais amava e também encontrou sua namorada, Joany, linda como Clara, mas é mais delicada e meiga. Elas eram muito discretas e respeitosas para com os outros, assim como qualquer casal deveria ser em público, só ficavam juntas no quarto em que dividiam, mas fora dali eram como amigas e todos amavam-nas, mesmo sabendo do relacionamento delas. Pablo e Clara davam-se muito bem, quando precisava de um parceiro de dança, ele era o par perfeito, uma sincronia sem igual. Joany compreendia e tornou-se amiga dele também, embora não tinham a afinidade e sincronia na dança que ele e Clara possuiam.
Um dia a academia Bolshoi passou em algumas escolas de dança em São Paulo para fazerem testes e trazer dois pares para a academia e quando viram os dois pares dançarem logo os classificaram para os testes finais e assim como eles dois certamente passaram, também Joany e Lucas passaram e assim as duas ficariam juntas e Pablo realizaria seus sonhos de todas as noites. Ele se interessava pelas garotas lindas e algumas bem  interessantes que estudavam ali como ele, embora seu foco fosse apenas aproveitar a oportunidade  que estava tendo na academia  dos sonhos: dançar.Grande parte do salário que recebiam ali para estudar dança ele enviava para a família por vale postal pelos correios, visto que os pais não tinham conta no banco.  Ele estava realizado e dançava com a alma para si mesmo e para o mundo com sua parceira de dança, Clara. Ambos torcendo para que suas famílias aceitassem as diferenças, assim como os outros deveriam e esperavam que as pessoas mudassem seus pensamentos e atitudes com os outros. Eles queriam que as pessoas vissem que arte ajuda a acabar com qualquer preconceito.

domingo, 24 de setembro de 2017

OURO, PRATA E BRONZE


Em um dia chuvoso de Fevereiro nasciam três lindas meninas praticamente idênticas fisicamente, Vanessa, Anabelle e Joana, a primeira se destacava por seus grandes olhos castanhos; a segunda por uma pinta do lado esquerdo da boca; e a terceira era um pouquinho mais magra do que as outras, mas fora isso todas tinham as mesmas características- olhos amendoados, morenas, poucos fios ondulados de cabelo, covinhas nas bochechas e dobrinhas que davam vontade de morder.
Seus pais, Caren e Ricardo, estavam radiantes de felicidade e ao mesmo tempo preocupados, como dariam conta de três sozinhos? O sonho deles era terem filhos, mas um de cada vez e como não chegava já com oito anos casados resolveram procurar um especialista, fizeram os exames e o resultado foi que os óvulos de Caren não estavam tão bons, ela, no entanto, teve que fazer um tratamento antes da inseminação, mas com que dinheiro? Resolveram fazer um empréstimo e se caso não desse certo a inseminação, eles adotariam uma criança, o coração deles escolheria, mas não foi necessário, após um mês do procedimento, ambos muito ansiosos e receosos fizeram um teste de farmácia e para felicidade deles deu positivo e fizeram mais vários outros para comprovar.
Caren fazia o pré-natal certinho, Ricardo a acompanhava nos ultrassons e tiveram um baita susto quando a obstetra lhes disse que seriam três e mais para frente, que seriam meninas. Isso os deixou muito feliz e preocupados, pois após o empréstimo eles ficaram com dificuldades financeiras, ambos não ganhavam tão bem, pois Caren era atendente numa ótica e Ricardo era marceneiro, muito requisitado por sinal, mas mesmo assim agora seus gastos triplicariam com as bebês.Eles porém, não se arrependeram por um segundo e fariam novamente, eles se davam muito bem, conversavam muito, pensavam muito parecidos, tinham carinho e respeito um pelo outro, discutiam às vezes, mas que casal não discute?
A barriga da mãe ficou enorme no fim da gravidez, mas ela ficou ainda mais bela com seu cabelo comprido repleto de cachos, a pele morena jambo, sua estatura mediana, seus vestidos de grávida, todos a olhavam encantados. Ela comprou berços e algumas roupinhas, de resto ganhou tudo no chá de bebê. Isso os aliviou, pois era muita coisa se tivessem que comprar.  
No dia marcado, 4 de Fevereiro de 1987, lá estavam os dois na maternidade esperando a grande hora, fariam cesariana, pois ela temia as dores do parto normal e sua bolsa já havia estourado. O pai assistiria a tudo, porem não gravaria, ela não deixou. Tudo correu bem e às 13:00 horas e com muita chuva lá fora nasciam as meninas. O dia mais feliz da vida dos dois, pois agora eram pais de três lindas e saudáveis bebês.
Apesar da semelhança quase idêntica, a personalidade delas eram bem diferentes- Vanessa mais séria e quieta; Anabelle mais risonha, mas também calma; Joana muito chorona e dengosa, queria ser o centro das atenções.
No passar dos anos essas diferenças se intensificam e Anabelle se torna a mais divertida delas, Vanessa a mais introvertida, séria e Joana a mais mimada, briguenta, pois queria tudo a seu tempo e tudo para ela, sempre possessiva com sua coisas.  Embora seus pais fossem um pouco rígidos quanto a educação delas, especialmente com Joana, que tinha um temperamento mais difícil.
A adolescência aproximou mais Anabelle e Joana, apesar de suas personalidades tão distintas. Elas amavam sair e se divertirem com os amigos em comum. Vanessa preferia ler seus livros de Agatha Christie, pois os romances ela achava ilusão e muito chatos. Com seus olhos grandes e seus óculos com armação mais séria, assim como seu jeito de ser e de vestir, de certa forma a afastava das pessoas, só vivia para estudar. As outras irmãs se vestem de um modo mais casual-calça jeans ou saia, camiseta, tênis ou salto.
Vanessa é advogada e casada, tem um lindo bebê de dez meses, Luan; Anabelle é médica-pediatra e mora só em um flat, Joana é secretária executiva e mora com seus pais e só se reúnem em reuniões de família e é sempre uma alegria aos domingos e feriados, devido a vida corrida de todos.
Elas são tão diferentes entre si que até o gosto para jóias são diferentes, Vanessa prefere o bronze ou algo que imite sua cor, por parecer mais discreto; Anabelle prefere a prata, por chamar menos a atenção do que o ouro; Joana prefere o ouro, pois chama a atenção assim como ela gosta. Elas se amam e podem contar uma com a outra, porém, sem intimidade.
São irmãs e amor delas será para sempre.

CHRISTIAN

Ele  é um negro de altura mediana, muito simpático e educado, porém tímido, que cresceu numa família temente a Deus e desde novinho frequentava a igreja, tornou-se coroinha, onde auxiliava o padre na celebração.
Ele frequentava assiduamente as missas e grupo de jovens, seus pais pensaram que ele seria padre, mas não era seu intuito, pois queria casar-se e formar uma família.
Um dia conheceu Clarice, uma mulher charmosa, na flor dos seus quarenta anos, sorriso alegre, olhos penetrantes e lábios ainda muito sedutores. Ela é uma mulher distinta em seus trajes, no jeito de falar e nos gestos delicados, no entanto, era humilde como ele.
Ele puxou assunto com ela meio receoso de ser rejeitado por ser mais novo, todavia, ela muito educadamente conversou com ele, contou um pouco da sua vida e quem ela era e ele falou sobre a vida dele. Eles ficaram conversando até ele se lembrar de um compromisso na igreja e trocaram telefones. Eles estavam encantados um pelo outro e não queriam parar de conversar. Numa noite estrelada ficaram trocando fotos pelo whatsapp, onde ele conheceu o filho dela, Leonardo, de 13 anos- eles se falaram por mensagem de voz por horas, nas quais sonharam com uma vida juntos, fizeram planos, como se estivessem juntos há um longo tempo. Os pais dele viram a foto e não gostaram por ela já ser mãe de um menino daquela idade, mas como seu filho já havia namorado uma mulher de trinta quando ele  ainda estava com 18 anos, eles não se importaram muito. O importante era o filho estar feliz e não abrir mão dos seus objetivos e princípios religiosos. Ele trabalhava com o pai na alfaiataria e pretendia seguir a carreira tão bonita e rara aos seus olhos. Eles foram atrás do padre da paróquia, onde ele frequentava e no mês seguinte o padre os abençoaria. Eles seriam uma família: Christian, Clarice e Leonardo. Christian sentia-se plenamente realizado e feliz, pois trabalha com o que gosta, teria uma família maior, e continua servindo e amando seu Deus.

LUPY E O DRAGÃO MAGO

Lupy é um garotinho de cinco anos, de pele rosada pelo frio, que mora com seus pais nas montanhas na região mais fria da Carolina do Norte, EUA. Lá ele não tem amigos da sua idade para brincar, então brinca sozinho no vilarejo, até numa manhã gélida, próximo a padaria onde ia comprar pães junto com sua mãe encontrou algo estranho se mexendo na mata e ele muito curioso foi a procura e acabou encontrando um filhote de dragão
O animal ficou quieto por medo e tremeu. Lupy aproximou-se do dragão, que se encolheu arrepiado e o pegou no colo, o aquecendo com sua jaqueta, o dragão acabou se aninhando ao menino devido o calor que vinha dele. Quando Lupy mostrou sua mãe o pequeno animal, sua mãe se assustou e não queria que ele levasse aquele animal, que ele era perigoso, mas ele prometeu cuidar de Mago, seu novo amigo, e sua mãe acabou concordando. Eles o levaram para casa.Seu pai achou-os completamente loucos, porque era um dragão e deve ser muito perigoso, soltar fogo pelas ventas, como nos filmes.
E Mago cresceu juntamente com Lupy e sempre que um urso pardo ou lobos apareciam para atacar seu amigo, Mago o defendia como uma fera defende seus filhotes. Ao contrário do que imaginavam, Mago era um animal dócil, domesticável, exceto quando seus donos estavam em risco. Ele quando pequeno dormia ao lado da cama de Lupy, mas quando cresceu  muito o colocaram no galpão ao lado da casa. Lupy e ele eram inseparáveis, menos quando ele ia ao trabalho, ou namorar uma bela camponesa chamada Estela, uma loira alta, pele rosada, que conheceu quando terminava seus estudos. Lupy amava ficar ao lado do seu melhor amigo e com o passar do tempo ele descobriu um poder mágico de Mago. Ele envia raios solares em dias nublados clareando o dia e também envia arco-iris para encantar as pessoas, fazê-los felizes. Essa era sua missão. Um dia depois de anos, Mago já estava velho e Lupy já casado morava numa casa próxima a dos seus pais e de Mago, pois sabia que a hora do seu amigo estava chegando ao fim e isso partiria seu coração estar longe. Ele era grato por te-lo por tanto tempo, assim como seus pais. O dia mais triste da vida de Lupy foi quando Mago morreu devido a idade, seu pelo já estava  branco, seus caninos tinham caído, assim como maioria dos seus dentes e se cansava muito mais. Foi um dia doloroso, com muito choro de todos, muita tristeza, mas gratidão por toda alegria que ele lhes trouxe. Hoje Lupy arrumou um cachorro para seus filhos, pois sabe da importância de ter um amigo de verdade, porém, nunca esqueceu nem esquecerá de Mago, pois ele trouxe alegria na sua vida e cor para sua alma.