AMOR NÃO TEM RAÇA
Yane é uma mulher que ama viajar e trabalha
muito numa indústria automobilística para conhecer o mundo durante suas férias.
Em sua última viagem a Angola ela conheceu
Zaki, e seu nome o definia, um garotinho esperto, inteligente que a cativou.
Ela descobriu que o menino era órfão e morava com a avó que não tinha condições
de cuidar dele e pensava em pô-lo para adoção. O coração de Yane se partiu ao
ouvir aquilo. Ele era tão simpático, amigável. A verdade é que ela havia se
apaixonado por aquele garotinho de apenas cinco anos e que mexeu com seu
instinto materno.
Yane tem tentado há uns dois anos engravidar
e ter uma gravidez independente, afinal, o sonho era dela de ser mãe. Ela havia
ajudado sua mãe a cuidar do seu irmão caçula, Marlon; pois sua mãe trabalhava
fora e só voltava quando os dois já estavam dormindo. Eles só se viam nos fins
de semana e se divertiam bastante juntos.
Seu pai faleceu quando ela ainda estava
com dezesseis anos e sofreu muito com a perda, pois era muito apegada ao pai, e
seu irmão tinha oito anos. Enfim, ela sabia como era difícil cuidar de uma
criança, o quanto teria que abrir mão do que quer, ou adaptar -se para encaixar
uma pessoa que estaria para sempre em sua vida, mas isso não a fez desistir de
seu sonho.
Ela veio de uma classe média, pele branca,
cabelo claro e olhos esverdeados, porém, apesar do racismo que ainda acontece
no mundo, ela e sua família nunca ligaram para isso, pois para eles é só cor de
pele diferente da deles; são seres humanos que merecem respeito, dignidade e
amor.
Yane ligou para sua mãe e contou-lhe o que
aconteceu. Sua mãe ficou preocupada com sua decisão, disse-lhe o que pensava,
mas se ela estava decidida, ela apoiaria a filha e receberia de braços abertos
a criança.
A garota foi procurar a avó do menino, para
saber mais sobre a história de Zaki, esta contou tudo para a moça e disse que
se ela realmente quisesse, elas iriam ao cartório da cidade para concretizarem
a adoção.
Yane foi atrás de Zaki e sentou no banco para
conversar com ele, _Oi, como você está? Eu tô bem e você? Você quer ter mais
uma mamãe para cuidar de você e viajar para outro país? Lá é tão lindo e legal.
_Eu tenho minha vovó. Eu quero passear um
dia. Onde você mora?
_Eu moro no Brasil. Você então não quer que
eu seja sua mamãe para cuidar de você, te dar amor?
_Mas e vovó? Não posso deixar ela.
_Ela ama muito você Zaki, mas ela não pode te
dar tudo que você merece. Ela disse que você é tão inteligente que precisa ter
bom estudo para ser o que quiser, além de receber um amor de mãe, que ela não
pode te dar agora e me pediu para cuidar de você, mas só se quiser, tá?
Ele correu para sua avó e chorou muito no seu
colo. Ela chorou muito abraçada ao seu único e querido neto. Ela falou para ele
que Yane o faria feliz, que daria tudo que precisa, que o ama muito, mas ele
precisa ir. Houve mais choro. Ela foi com o menino a fim de conseguir
passaporte e visto permanente para o menino no dia seguinte.
Eles chegaram ao Brasil duas semanas após a
requisição dos documentos. Ele ficou encantado com aquele novo mundo para ver e
viver. Zaki foi recebido com muito amor e de braços abertos pela nova família
que os aguardava.
No começo foi difícil a adaptação para ambos.
Havia choro de saudade, medo, sentimento de solidão e abandono, além da
gratidão por receber tanto amor e cuidado.
Sua nova avó começou ensina-lo a ler até
começar o ano letivo, na escola em que Yane o matriculou.
Ele hoje ainda se comunica com sua avó por
telefone e tem tudo que uma criança deve ter: amor, carinho, respeito, limites,
uma boa educação e os brinquedos. Ele já a chama de mãe deixando-a muito feliz.
Quanto a Yane? Bem, hoje ela é uma
mulher muito atarefada, cheia de responsabilidades, preocupações, teve que
fazer adaptações em sua casa, sua vida e mais do que isso; hoje ela se sente
uma mulher realizada e orgulhosa do filho que tem. As viagens ela faz com ele
quando o período de férias se coincidem. Ela o ama mais do que jamais pensou
ser possível amar alguém. Agora ela entende sua mãe e todo sacrifício que fez
por ela e o irmão, fazendo com que ela tenha uma ligação com a mãe que ainda
não tinha.