segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

TUTTY, O TIGRE BRANCO





Tutty é um tigre branco que nasceu no zoológico no sul da África, e ele era tão fofo. Na verdade, Tutty era a paixão da veterinária Dóris, a pessoa que cuidava de todos os animais daquele zoo, junto com seus ajudantes. Como ele era filhote e ainda não apresentava  perigo para outros bichos, ele zanzava o tempo todo no seu consultório recebendo afagos dela vez ou outra. Um dia quando foi atender um elefante de emergência, Tutty saiu do consultório. Algumas pessoas que estavam no zoo ficaram com medo, outras quiseram acariciá-lo e um homem muito estranho, com olhar sombrio escondido por óculos escuros começou a se aproximar do "gatinho". Tutty pressentiu algo estranho naquele humano e mostrou-lhe os dentes já prontos para atacá-lo. Ele era filhote, mas era grande o suficiente para machucar bastante alguém. Ele não se importou e atirou um tranquilizante no tigre que logo caiu desmaiado no chão. Ele chamou seu comparsa que andava disfarçado por perto. Com calma, mas o mais rápido que pudessem, eles levaram aquele animal raro para uma van e partiram. Dóris voltou para a sua sala e procurou preocupada pelo tigre e não o encontrou, deixando-a desesperada. Ela saiu pelo zoo gritando: Tutty, cadê você? Uma moça que passeava por ali e viu o que aconteceu lhe contou tudo. Dóris correu para a delegacia com a moça, onde contaram sobre o sumiço e a descrição dos caras. Ela chamou o jornal e contou também. Virou noticiário unânime em vários jornais locais e regionais. Dóris não parava de chorar. Onde e como está meu amigo? Eu preciso dele, ele pode estar machucado.
Aqueles bandidos vendiam animais raros para outros traficantes como eles.
Seu comparsa um dia passeou pelo zoo observando qualquer novidade, até que o viu pela janela brincando com uma das ajudantes do zoológico.
E tudo saiu melhor do que imaginavam naquele dia quando o tigre saiu do consultório, a sorte pareceu bateu a porta deles.
Eles estavam tão nervosos que bateram em uma caminhonete, mas a sorte não estava tão a favor assim deles, pois o motorista era policial e já sabia da descrição dos bandidos. E mesmo que tentaram fugir correndo não conseguiram ir longe, pois logo o motorista e seu amigo também policial os pegaram e os prenderam até chegar ajuda.  Assim que os levaram para a delegacia, interrogaram os caras e por pouco Tutty não foi vendido. O tigre voltou para o zoo e pulou em Dóris a derrubando e brincando com ela até se cansarem.  Amizade deles era mais do que amizade entre um humano e um animal selvagem; era encontro de almas entre seres tão diferentes e imprevisíveis, mas um amor puro e que duraria enquanto ou até depois que Tutty um dia partisse. O encontro entre os dois foi visto por muitos jornais. O zoológico triplicou em visitas só para vê-los, mas toda notícia passa, menos o elo e carinho entre eles, Dóris e Tutty.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

TE VEJO







Te vejo   em cada canto desse lar.
Lar que transformou em seu e que o preencheu com sua grandiosa presença.
Te vejo quando vou comer,
Te vejo quando chego em casa e você estava lá pedindo um pouco de carinho e atenção.
Te vejo deitada olhando pra mim pela última vez e eu nem sabia, mas você já, né?
Você não sai dos nossos pensamentos.
Os primeiros dias após sua ausência foram ainda mais dolorosos.
Te vejo tão companheira, tão sorridente, dócil e muito especial.
Todos que a conheceram comentavam o quanto era boazinha.
Nós te amamos como parte da família.
Que falta você nos faz Akirinha.
Saudade que faz meus olhos se encherem de lágrimas, pois sua falta ainda dói.
Foi melhor pra você, e isso conforta nossos corações
O vazio que nos trouxe com a sua partida será eterno;
Assim como o amor e a alegria que vieram junto com você.
Obrigada por fazer parte de nossas vidas.

sábado, 9 de novembro de 2019

NADA


Alguém em algum momento se viu diante do nada?
Sentiu-se um nada?
Quem nunca, não é mesmo?
Às vezes tudo o que queremos é não pensarmos em nada, mas os pensamentos  não param de vir.
Pensamos em coisas que entristecem ainda mais nossa alma.
E esse nada é persistente.
Que droga! Isso não vai passar?
Dizem que gerenciar nossas emoções faz parte gerenciar nossos pensamentos.
Lamento, ainda não consigo.
 Pensamentos positivos?
Ainda não dá.
O choro foi inevitável e me detestei por isso.
Olho para o presente razoável e para o futuro não consigo ver nada.
Não sei me definir com uma palavra.
Estou perdida,angustiada e vazia.
O que fazer?
Quero sorrir com a alma e com todo meu ser.
Por enquanto é só com o rosto mesmo.
Odeio chorar.

domingo, 20 de outubro de 2019

MONIQUE E AS SUAS CRENÇAS



Monique é uma mulher que vem passando por decepções amorosas, amores não recíprocos desde a adolescência e isso fez com que seu coração endurecesse um pouco. Ela diz para as pessoas que desistiu de encontrar um amor, mas no fundo ela ainda tem um restinho de esperança de que encontre alguém que mexa com seu coração e que esse sentimento seja recíproco. Suas crenças têm mudado. Crenças sobre si mesma, o mundo ao seu redor, e até a parte espiritual. Ela passou a acreditar que quanto mais aberta a gente deixa nossa mente, mais empáticos nós somos com os outros, aceitamos e acolhemos melhor o que é diferente da "nossa bolha". O mundo ao nosso redor se torna mais humano;
Quanto mais fechada, limitada a nossa mente baseado no que era antigamente, nos foi ensinado e não é já alguns anos, mais julgamos o próximo e os atacamos por ignorância, intolerância. Aprender coisas "fora da nossa casinha" nos dá a liberdade de aceitar, gostar ou não de algo e nos revoltarmos com o que vemos todos os dias; mas nos permite respeitar e até admirar, praticar o que antes não conhecíamos. Tudo isso tem tornado Monique uma mulher mais orgulhosa da maturidade que tem adquirido, apesar da insegurança com o próprio corpo. Às vezes ela se sente um mulherão, e também um lixo. Hormônios femininos? Certamente. No entanto, ela não se ilude com as mulheres "perfeitas" que vê nas redes sociais e na tv, pois ela sabe que elas têm uma história de vida nem sempre fácil e são muito mais do que aquela perfeição que aparentam. Só que mídia,rede social iludem, deprimem e acaba. com a autoestima de tantas mulheres que veem isso sempre e se perguntam: por  que sou assim? Queria mudar tudo em mim.
Hoje ela sabe que não precisa salvar nem completar ninguém, muito menos ser salva ou ser completada, só quer alguém para acrescentar em sua vida, fazê-la ser ainda mais feliz do que deve ser, e vice- versa. Você se apaixonaria por ela?

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

AS AVENTURAS DE JOSINHA E A CADEIRA DE RODAS




Josinha é uma garotinha peralta e alegre, que não deixa sua cadeira de rodas e suas limitações físicas impedi-la de viver suas aventuras, assim como qualquer criança de sua idade.
Josinha teve uma doença que quase ninguém sabe que existe em crianças, apenas em pessoas idosas, Artrite Reumatóide Juvenil. Essa doença desgasta os ossos das juntas, como: mãos, pés, joelhos, etc. Além de atrofiar e causar muita dor, e mesmo com a fisioterapia que ela faz; que impede que a doença ainda sem cura piore; ela ainda assim sente dores, tem rigidez das juntas quando acorda, toma remédios para controlar a doença e as dores desde os seus sete anos. Esta história aconteceu há mais de vinte anos quando nem mesmo os médicos que cuidam dessa doença sabiam muito sobre ela, por isso suas limitações e dores aumentaram levando-a para a cadeira de rodas. Hoje felizmente os médicos já sabem identificar os sintomas de forma mais rápida e pedem os exames certos. Eles já começam a tratar logo evitando que as crianças sofram como Josinha sofreu.
A garotinha passou a amar sua cadeira, apelidando-a de coleguinha e pintando-a de azul e lilás, suas cores favoritas. Ela e sua coleguinha brincam de esconde-esconde com sua irmã mais nova, Ane. Ane senta em seu colo e vadeira da irmã o mais rápido que consegue e depois solta para que Josinha a freie a tempo para não se machucar.  Felizmente quase não passa carros ou motos ali. Ambas riem e se divertem muito juntas.
Elas estudam, mas como Josinha não tem amigos para brincar no recreio, Ane lhe faz companhia e lancham juntas. No começo a garotinha de cabelo preto escorrido sofreu muito, mas hoje ela já aceitou que seus colegas gostam de brincadeiras, correr e ela não pode. No entanto, ela é grata e feliz por ter uma irmã que a ama e cuida dela. Elas são uma pela outra.
Sua mãe ficava de cabelo em pé, por causa das brincadeiras das filhas.
Um dia de sol Ane pediu a mãe um pouco de dinheiro para comprar picolés, pois o moço passava todos os dias em sua rua vendendo, entãai segurando e soltando a coleguinha na rua de sua casa, que é uma pequena ladeira; ou empurra a co sua mãe lhe deu o dinheiro e a garota saiu saltitante de alegria. A verdade é que elas planejaram antes de dormir saírem do bairro em que moram e se aventurarem um pouco até acharem uma sorveteria para comprarem seus picolés. Elas não imaginavam os perigos que uma cidade tem para duas garotinhas sozinhas. Por isso saíram orgulhosas da rua e Ane empurrando a cadeira até cansar, paravam em barzinhos, entravam em comércios, pois o sol estava muito forte. Elas viram muitas coisas boas, bonitas, mas também viram mendigos na rua pedindo dinheiro, homens maliciosos oferecendo-lhes doces, ladrões assaltando pessoas, só que elas seguiram os conselhos de seus pais para não aceitarem nada vindo de estranhos, nem conversarem com eles, exceto para pedir ajuda. Elas atravessavam as ruas nas faixas de pedestres, olhavam para os lados ao atravessarem e nada de acharem uma sorveteria. Josinha e Ane estavam cansadas e com muito medo pelo que tinham visto, mas estavam longe de casa e não sabiam voltar para casa, estavam perdidas. No entanto, elas queriam terminar aquela aventura, queriam comprar seus picolés na sorveteria. Nesse período em que estavam longe de casa sua mãe foi chamá-las para lanchar e nada de encontrá-las na rua, perguntou para vizinhos, e como sempre, nestas horas ninguém vê nada, então ela começou a chorar desesperada. Onde estavam suas filhas? Ligou para o marido e lhe contou o que aconteceu. Ele largou a oficina mecânica onde é dono e saiu para buscar a mulher para procurarem as meninas. Só procurariam a polícia em último caso.
Josinha e Ane finalmente encontraram uma sorveteria e aliviadas foram até lá. Chegando elas pediram picolés de chocolate e de morango, mas quando foram pagar o dinheiro não era suficiente. O moço que passava em sua rua cobrava aquilo; elas disseram. A vendedora então vendo como elas ficaram tristes e aparentavam estar muito cansadas deixou por aquele valor, e perguntou-lhes por que estavam sozinhas.  Elas orgulhosas lhe disseram tudo. Vilma, a vendedora explicou-lhes que não podiam fazer mais aquilo, pois era perigoso e perguntou onde moravam, Josinha disse o endereço, mas que não sabiam como voltar. Vilma voltou ao balcão e ligou para seu namorado que era policial e explicou a situação das garotas. Ele não demorou a chegar e carinhosamente levou-as para casa. Seus pais que haviam chegado da rua há poucos minutos, pois estavam procurando-as, abraçaram-nas aliviados. A mãe agradeceu ao policial que lhe explicou tudo. Eles colocaram-nas de castigo; um mês sem brincar na rua; e ainda fizeram-nas prometer que não voltariam a fazer aquilo. Elas não fariam novamente, pois apesar de tudo que viram e do castigo, elas viveram uma grande aventura e isso as uniu ainda mais. Elas continuam grandes amigas além de irmãs.
Ah! Josinha fez novas amizades na escola e ela é feliz, apesar das limitações, mas ela se supera todos os dias.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

A DOR DA RECUPERAÇÃO


Estou aqui me sentindo presa e muito dependente. Fora as dores.
Não consigo quase me mexer, e ainda com mais cicatrizes pelo corpo.
Está difícil pra mim agora, mas pra quem não está?
Quem já passou por cirurgia e não sofreu  na recuperação?
Preciso ser forte.
Preciso ser otimista.
Logo passará.
É necessário ter muita paciência e pouca autocobrança.
Cadê você paciência?
Apareça, por favor.
Cobrar- me é o que mais tenho feito.
Isso deprime a mim, ao meu coração, no qual eu sou guardiã.
 E também quem está comigo a todo momento. Esta sente ingratidão da minha parte.
Ela é minha razão de resistir, de aguentar tudo com um sorriso, quando a vontade muitas vezes é chorar, me esconder e deixar o barco sumir de vista.
Uns realmente se preocupam e torcem, ajudam, fazem o que podem e isso emociona.
Há outros que só fingem se preocupar, ou oferecem ajuda sem quererem de verdade ajudar.
Isso se vê nos olhos, sente nas palavras.
Querem tirar o peso na consciência? ou simplesmente querem mostrar para os outros que estão fazendo algo mesmo sem no fundo quererem?
Eu não sei.
Só sei que quando vimos isso vindo dos mais próximos dói.
Eu apenas espero que esse processo de recuperar seja rápido e menos doloroso.

sábado, 20 de julho de 2019

DIONE E A BUSCA PELO AMOR PRÓPRIO


Dione é uma mulher hoje, mas uma como milhares ou milhões dela por aí que não sabem se amar, se valorizar, só priorizam os outros.
Dione é filha única, no entanto, seus pais nunca tinham tempo para ela. A  vida social deles era mais importante do que passar um tempo com a filha.  Seu pai era político e sua mãe sempre o acompanhava deixando a garotinha com a babá.  Meire era a única pessoa que lhe dava atenção e afeto naquela casa, porém ela necessitava de seus pais, que sequer notavam-na, apenas lhe davam presentes como compensação por suas ausências.
Dione tornou-se uma criança introspectiva e solitária, sua babá tentava suprir a falta dos pais, mas ela sabia que não era suficiente. Por várias vezes a garotinha dormia após chorar de tristeza. Ela não conseguia fazer amigos, não se sentia boa o suficiente para isso.
E a vida foi passando. Dione era conhecida como estranha, pois vivia em seu mundo próprio. Ela cresceu e tornou-se uma jovem solitária e linda, mas se sentia um nada.
Ela formou-se e foi fazer faculdade de  medicina veterinaria de animais grandes, assim ela continuaria em seu mundo e ficaria com sua companhia, os cavalos. Seus pais tinham um haras no qual ela ia sempre e lá ficava por horas após o curso. Ela não acreditava ser boa e bonita para namorar alguém. Ela gostava de um rapaz, mas ele era bonito demais para ela. Então toda vez que ele puxava assunto com a mesma, ela respondia timidamente e dava um jeito de recuar evitando qualquer aproximação.
Ela se sentia triste e com raiva de si mesma. Ela não se sentia amada por seus pais. Ela esperava que eles mudassem, mas tinha medo de que a mudança deles não mudasse mais nada dentro dela. Ela temia não acreditar nesse amor após tantos anos.
Ela ligou para um psicoterapeuta, pois não suportava mais viver e se sentir como estava se sentindo.
Foi duro e ela chorou muito na primeira sessão.
As sessões seguintes foram ainda mais dolorosas. Paulo, seu psicoterapeuta era doce, amigo e às vezes duro demais com ela, que muitas vezes pensou em sumir de lá. Mas era persistente, queria mudar e ser quem gostaria de ser. A verdade é que ela gostaria de saber quem era. Ele chamou seus pais para conversarem sobre Dione, porém seus pais se recusaram dizendo que era uma bobagem e que tinham mais o que fazer.
Ela ficou muito deprimida e sentiu-se desvalorizada e um nada para eles. Dione descobriu que na verdade essa autodescoberta e amor próprio iniciaram na terapia e permanece até quando quiser.
Nessa descoberta de si mesma ela passou a refletir: _ A mídia e a internet têm falado tanto sobre amor próprio, autoestima, priorizar-se, porém, as músicas, especialmente as sertanejas gostam de cantar canções em que você se doa totalmente para o outro, aceita ser cobaia, bebe até não aguentar mais porque o outro o deixou, o outro é a razão de ser feliz.  Isso não faz sentido para ela.
Paulo riu de sua observação e parabenizou-a pela reflexão.
Ela começava a se sentir bem consigo mesma e passou a correr atrás de livros e vídeos que a ajudassem a descobrir-se e se amar primeiramente, acabar com a carência que a persegue por anos  e depois perdoar seus pais pela ausência e falta de carinho, atenção.
Ela se sentirá feliz em sua própria companhia e será realizada no processo mais longo e compensador de sua vida com ela mesma e na sua futura profissão.

ENQUANTO O CORAÇÃO ESPERA

  Eu sou Melissa, e tenho trabalhado arduamente numa empresa de uniformes, para me manter e ajudar meus pais, Francisco e Celina, que mesmo ...