quinta-feira, 25 de junho de 2026

A MÁ SORTE QUE VIROU SORTE

 


Era uma vez, uma mulher que se considerava uma pessoa sem sorte. 

Seu pai faleceu poucos meses depois que ela havia nascido. 

Sua mãe preferia sua irmã mais velha a sua outra filha. 

Ela era muito tímida e não conseguia fazer amigos.

Ela foi crescendo, e seu sentimento de inferioridade só aumentando.

Portanto, cada dia que passava ela se sentia menos merecedora de ser amada e feliz. 

Joanita era uma mulher bonita, inteligente, doce, porém, sua mãe sempre dizia que a irmã era a única bonita da família. Isso a magoava muito.

A irmã já namorava, e os rapazes do bairro ficavam doidos com ela, mas parecia que Joanita era invisível, pois ninguém a notava. 

Um dia, enquanto lia um romance no intervalo da aula, seu único lazer, apareceu um rapaz e perguntou-lhe:

_ Por que você está aqui lendo e não conversando com a turma? 

_ Ninguém me quer por perto. 

_Sou Ferdinando, e você é ?

_ Joanita. Oi Ferdinando. Por que você não está lá com eles? E voltou o olhar para o livro.

_ Porque achei que te conhecer seria mais interessante.

O rosto de Joanita enrubesceu. 

_M-me conhecer? Inte-teressante eu? Ela gaguejou.

_ Sim, você  é. Só basta deixar que te conheçam melhor. 

Ela sorriu sem jeito e fechou o livro, não antes de marcar a página, e conversaram sobre os gostos um do outro. E riram juntos.

Dali se formou uma linda amizade, e aos pouquinhos ele ia fazendo outras pessoas conhecê-la melhor.  

E ao contrário do que pensava de si mesma, ela não era sem graça, nem feia. Conforme ia conhecendo melhor os outros, e se sentindo mais a vontade, mais viam que ela era divertida, inteligente, pediam ajuda pra alguma matéria...Ela se tornou uma mulher mais confiante, interessante, mais feliz. Algo que ela nem imaginava ser possível. A amizade deles foi ficando mais  firme e verdadeira. 

Ferdinando a convidou para uma festa em sua casa, pois iria comemorar seu aniversário de 18 anos. Joanita vestiu seu melhor vestido e se arrumou da melhor forma que podia,  e ainda assim, estava muito simples. Quando ela chegou, ele lhe deu um forte abraço e agradeceu por ter ido. Ferdinando pediu um vestido emprestado a sua irmã e pediu que q amiga vestisse, pois os corpos das duas eram muito parecidos. Ela saiu deslumbrante com um vestido longo preto, de alças finas e que a fazia brilhar.  A irmã dele fez um rabo de cavalo nela e lhe emprestou um par de brincos e colar. Ela não se reconhecia, mas todos ficaram encantados com sua beleza e educação. Quando o primo dele a viu foi amor à primeira vista. Paulo se aproximou e começaram a conversar, eles trocarqm telefone e hoje estão namorando. 

Quanto a sua mãe e irmã, nada mudou para elas.  Joanita continuava a mesma, mesmo com toda sua mudança de personalidade. Felizmente, a visão de si mesma mudou, ela fez amizades, e encontrou um amor. Portanto, Joanita não tinha a má sorte que imaginava ter, era só mudar a forma de olhar para si mesma, e para o mundo a sua volta.




quinta-feira, 4 de junho de 2026

OUTONO SE DESPEDE


 As folhas amareladas caem das árvores.

O chão está forrado de folhas secas e pétalas caídas.

É até bonito de ver.

O outono está quase se despedindo.

E o inverno querendo dar seu oi gélido da estação.

O frio das manhãs e dos fins de tarde doem minhas juntas mesmo estando aquecida. 

Tem hora que nem remédio adianta.

Tudo tem seu tempo, seu momento certo de acontecer, e eu sei disso.  Mas eu só torço para que chegue logo a primavera.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

OUTRO MEDO

 

Já escrevi sobre o medo uns anos atrás.

Era outro tipo de medo.

Era o medo que paralisava, e os tipos que existem, alguns nem sequer conheço.

Hoje falo do medo que protege.

Aquele que não te coloca em perigo.

Aquele que te deixa mais cauteloso.

O medo que arrepia só de pensar.

Pensando assim, o medo nem sempre é ruim.

O medo te poupa de entrar em muita fria.

Esse tipo de medo é como um sinal de Deus, para lhe dar um livramento. 

E vem geralmente em forma de pressentimento, intuição, até o famoso sexto sentido feminino.

Só precisamos prestar atenção, sermos precavidos sobre o que acontece ao nosso redor.

Pois Deus sempre quer o melhor pra nós, nos livrando de todo mal.


sábado, 23 de maio de 2026

A MELANCOLIA DA IDADE

 

Tudo está preto no branco.

Ou você é a favor, ou é contra algo/ alguém.

Principalmente sobre política.

Não existe mais meio-termo.

É 8/80.

Tem tanto mimimi hoje em dia, que está chato.

É tanta frescura que dá preguiça.

Não se pode dizer nada que é motivo de acabarem contigo.

Os donos da razão, do certo e do errado.

Podem até te cancelar na internet.

Nasci nos anos 80, a um dia de fazer 41 anos.

A vida parecia tão mais simples, prática antigamente.

Sinto falta disso.

Já vi e vivi muita coisa que as novas gerações nem sabem o que é.

Estou vendo e vivendo coisas que nunca imaginei que aconteceriam.

Algumas surreais, como IA - Inteligência Artificial.

A tecnologia tomando conta de tudo e nos deixando cada dia mais dependentes dela e isolados em nossos mundos.

A solidão é bem visível dia após dia; a saúde mental mais precária, com muita gente procurando ajuda psicológica por ansiedade, depressão, TDAH, coisas que nem sabíamos que existiam um tempo atrás.

No passado, pra assistir filme tinha que alugar fita de video cassete e rebobinar antes de devolver, ou assistir sessão da tarde,telecine quando passava o que queria ver;havia telefone orelhão, onde precisava de ficha, e depois passou para cartão de 20/ 30/50/75 unidades, tinha até colecionador desses cartões.

Tinha telefone fixo que precisava girar com o dedo pra discar, e depois veio o de teclas. Para ouvir música tinham as fitas cassetes que podíamos ouvir dos dois lados no walkman ou rádio; rádio com as estações AM e FM; disco de vinil; depois vieram  os discmans para cds; TV de tubo sem controle remoto, depois veio o controle remoto; e a TV passou a ser plana, mais leve e maior com controle remoto.

As brincadeiras eram mais divertidas, pois a maioria era em grupo: pegar vareta; pular corda; esconde-esconde; pega-pega; stop (adedonha, dedos, dependendo da região); amarelinha ou maiê; morto/vivo; seu rei mandou, polícia e ladrão; jogar bafo com as figurinhas e trocar as repetidas com os amiguinhos; queimada; iôiô; pião; bolinha de gude; casinha e boneca; e tantas outras. Era na rua, ou na casa dos avós com os primos, ou em casa, não importava o lugar.

Qualquer moeda que a criança ganhava deixava-a feliz pra comprar doce na venda.

Juntar a família no almoço de domingo com frango, macarronada, conversa e risada.

Hoje as coisas mudaram e ficaram mais práticas, mas as crianças ficaram menos ativas. Existe menos interação, união entre as pessoas, pois ninguém quer receber nem visita, não querem sair de casa pra nada. Existem as entregas de comida, e do que precisar, basta entrar no aplicativo que gosta ou site, compra e espera chegar, sem preocupação. 

Agora na TV pode ver séries e filmes quando quiser, podendo parar sempre que precisa, sem ter que esperar o intervalo; programas de reformas; de saúde; de culinária; esporte; noticiários, e se não tiver uma TV smart; tem o celular, onde pode ver pelo youtube, e grande maioria possui um aparelho com internet. Não é preciso mais cd, rádio, nem baixar suas músicas favoritas pra colocar no celular, pois nele podemos baixar aplicativos como spotify pra ouvir músicas e podcasts de graça ou pagando.

Inclusive, para relacionamento amoroso ficou mais rápido encontrar alguém, se tiver sorte, pois existem aplicativos até pra isso. Mas é preciso cuidado, pois nem sempre o que parece ser, e diz que é, realmente é.

As relações ficaram menos profundas, mais “líquidas”, e tóxicas.

Muitos não querem nada sério. Portanto, ao mesmo tempo que está mais prático e rápido pra ter algo a mais sem compromisso; está mais difícil pra quem quer algo profundo e com futuro, saudável com alguém.

Acho que faz parte da idade essa melancolia de pensarmos sobre tudo o que passamos até agora.

Saber que Deus esteve comigo durante todos esses anos, me dá um calor no coração e sentimento de Sua proteção divina em cada passo que dei e darei até meu último respiro.

Mudaram as ferramentas para facilitar nossas vidas, e há muitas que nem citei, mas é fato, que nessas 4 décadas e pouco que tenho vivido, muitas coisas mudaram, e nós também, pra acompanharmos as mudanças e evoluirmos como pessoa. 


terça-feira, 19 de maio de 2026

A MÁSCARA DO SORRISO

 

A tristeza da alma veio à superfície, desde que abri os olhos hoje pela manhã. 

Por que? Tantos sentimentos juntos que se transformam em algo mais profundo.

Ainda assim, o sorriso aparece no rosto. 

Como dizia Monsenhor Jonas Abib: "os sentimentos são nossos, porém, a nossa cara é dos outros." 

Se ficarmos tristes, ou com raiva e aparentarmos isso, o que os outros poderão fazer por nós? Nada, além de pesar o clima. De que vale isso?

 Então, colocamos uma máscara de estou ótima(o) e seguimos em frente. 

Evita explicações, desgastes, dor desnecessária e preocupações. 

Hoje eu só queria sumir e ficar quietinha, mas quase nunca fazemos o que queremos. 

Não é justo com quem está ao nosso lado e faz tudo o que pode por nós, pra ver nossa tristeza e se sentir mal. A pessoa não merece e nem precisa disso. Então vestimos essa máscara e pedimos a Deus a Sua Misericordia.

Só  o Pai para tirar a tristeza, acalmar e alegrar a alma novamente. Só Ele tem esse poder.

terça-feira, 7 de abril de 2026

O LIVRO FOI LANÇADO

 O livro foi lançado ontem, dia 06/04/2026. Estou me sentindo muito feliz e orgulhosa de mim por essa conquista. 





quinta-feira, 2 de abril de 2026

A DOR DE NÃO SE SENTIR CAPAZ

 É triste ver tanta gente sentindo dor. 

Dor a ponto de não conseguir levantar da cama sem remédio.

Dor de se sentir excluído de uma sociedade que não entendeu que precisamos ter autonomia pra fazermos o que quisermos e precisamos. 

Pensam que pessoas com deficiência deveriam estar aposentadas.

Será que isso seria realmente bom? 

E nossa vontade de produzir, de nos sentirmos úteis, capazes, não conta? 

Será que não servimos para nada? 

Nossa saúde mental importa. 

Só eu sei como me sentia quando não trabalhava: 

Impotente, inútil, sem perspectiva, dependente financeiramente da família. 

Não é porque tem gente considerada "normal" que não gosta de trabalhar, que uma pessoa com deficiência não quer também. 

É angustiante não poder produzir, não poder mostrar nossa capacidade, não conviver com outras pessoas, não ter a oportunidade de crescer.

Ser uma pessoa com deficiência é tão solitário às vezes.

Aceitar nossos limites não é fácil. 

Mas se martirizar também não vai nos ajudar.

É seguir em frente e fazermos nosso melhor. 

 


A MÁ SORTE QUE VIROU SORTE

  Era uma vez, uma mulher que se considerava uma pessoa sem sorte.  Seu pai faleceu poucos meses depois que ela havia nascido.  Sua mãe pref...