sábado, 30 de março de 2024

BARULHO CALMANTE DO RIO

 Eu só queria ficar quieta.

Hoje, amanhã...

Eu só queria ficar sentada no banco com os pés  na grama olhando o rio passando, ouvir seu barulho tão calmante, ver seu movimento, e sentir a brisa tocando meu rosto e o silêncio que vem da natureza.

Sem pessoas falando à minha volta, coisas que às vezes não acrescentam nada. 

 Não  ter ruídos de carros, buzinas, e tantos outros que nos perturbam diariamente.

Só queria limpar a mente, o coração, e esquecer da ansiedade, as preocupações, medos, inseguranças, enfim, sentir-me livre.

 E chorar, chorar sem me preocupar, porque ali ninguém vai me escutar,ou me ver.

Refletir sobre mim; conhecer-me mais, me amar.

Fantasiar coisas impossíveis de acontecer.

Conversar com Deus, talvez chorar mais um pouco. 

E depois?

Por músicas para dançar... Dançar até os pés doerem, dançar do meu jeito sem ninguém para julgar, e sentir a alegria que a música me traz.

Até esvaziar o que ainda sobrou aqui dentro, que me faz querer explodir, sumir.

Só que preciso o tempo todo conter. EXAUSTIVO!!

Só queria sumir daqui, e me sentir em paz, saber quem sou de verdade, ser feliz . 


sexta-feira, 29 de março de 2024

AMOR NOS DETALHES



 Enquanto escrevia no trabalho, eu analisei, não só a minha caligrafia, mas também a de outros e percebi que a gente nem presta atenção sobre o quanto Deus pensou em cada detalhe na nossa criação.

Até na escrita Ele fez cada um ser único.

A escrita de cada pessoa é tão única que tem até ciência sobre  isso: grafoscopia.

Com ela pode evitar fraude de golpistas, pois por mais parecido que eles façam a assinatura, nunca será igual a sua.

Inclinação, peso, altura, forma de cada letra, maturidade, emoção no momento... Tudo isso te faz ser você na hora de escrever.

Pense: que loucura é isso?

Como pode parecer algo tão insignificante, que não damos valor por fazer parte do cotidiano, e na real, nos tornamos tão especiais?

Letras lindas, às vezes, enfeitadas demais.

Outras "de médico", que são difíceis para decifrar o que está escrito.

Como Ele conseguiu  pensar em tantos detalhes só pra mostrar Seu amor por nós?

Amou-nos tanto que sacrificou seu único filho por nossos pecados.

Um Filho que foi humilhado, mais do que poderíamos suportar. Aquele homem foi crucificado, machucado para nos salvar e ainda tantos duvidam.

No dia de Sua Paixão, eu escrevo isso para que possamos refletir sobre o quanto Ele nos amou nos detalhes, e se sacrificou por cada um de nós.


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

QUEM NUNCA SE DECEPCIONOU COM ALGUÉM?

 Ando tão decepcionada com as pessoas ultimamente. 

Pregam com tanta firmeza uma coisa e agem de outra forma. 

Perfeita? 

Estou bem longe de ser. 

Erro sim, mas fico na minha. 

Se é sabedoria divina?

Acho que sim.

Aprendi na pele, que comentar o que não é da minha conta não me acrescenta em nada, só caça confusão, chateia vários envolvidos. 

Certamente já decepcionei muitos por aí, e peço sinceras desculpas.

Estou cada dia mais fechada, mais reclusa com meus sentimentos e pensamentos. 

Prefiro morrer engasgada com minhas próprias palavras do que magoar alguém com o que eu disser.

Quem não se decepcionou com alguém uma vez na vida?

Já escrevi sobre isso antes, mas foi há tanto tempo, que não sou mais aquela de outrora.

Tanta coisa aconteceu desde então.

É como se um pouco daquela menina tivesse morrido, ou crescido de vez. 

Dor, perdas, medos, decepções, rejeições, amores não correspondidos, amizades verdadeiras, superações, encontros valiosos, pessoas mais valiosas ainda que me rodeiam e me amam. 

Tudo junto e misturado me fez ser quem sou hoje.


sábado, 20 de janeiro de 2024

VIVER DE MEMÓRIAS

 

Eu acho que vivo de memórias.

Dizem que quem vive de passado é museu.

Mas suas experiências de hoje não são frutos de tudo que viveu lá atrás?

Sejam boas ou ruins?

Aprendizados, conquistas, sorrisos e gargalhadas?

Eu vivo ansiosa pensando no amanhã, muitas vezes nervosa, por causa do presente.

Os dentes são sempre as vítimas... Ranger, apertar, dor, quebra... Não está fácil.

O que ameniza é a nostalgia.

São tantas memórias boas.

Sejam da infância: montar árvore de natal; presentes; as brincadeiras com colegas, vizinhos, primos; passar um tempo com meus pais, nossa primeira viagem à Montezuma, em Minas Gerais; almoço na casa dos meus avós, ou seja, a família reunida; os aniversários com os bolos enormes, os docinhos, salgados que minha tia, mãe faziam, e os presentes em cima da cama, a casa cheia de gente.

Sejam as lembranças da época da adolescência: o tempo que passei com as amigas na escola, e às vezes, fora dela; as viagens à Brasília, apesar de tudo; as paixonites, mesmo não correspondidas; ter meu pai comigo até quando deu; o primeiro encontro com Vavá; quando voltei a andar.

Sejam as lembranças da vida adulta: passar bons momentos com os colegas de trabalho; assistir a filmes de natal com mãe, ou sairmos juntas; meus amigos virtuais; encontro com os amigos “reais” e meus sobrinhos do coração; almoços em família aos sábados; relacionamentos que não duraram para tornar namoro, mas que deixaram memórias; e sem dúvida, mais encontros com Vavá e Márcio; superações depois de mais cirurgias.

Por que parece ser errado ficar relembrando o passado?

Por que se lembrar do passado parece ser deprimente para a maioria, quando me ajuda a esquecer do presente, e não ficar tão ansiosa com o que nem sei que virá pela frente?

O problema sou eu?


sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

PRESA NO TEMPO

É difícil seguir em frente;

Interessar de verdade por outra pessoa.

Será o ego; carência; dependência emocional que prendem meu coração a você?

Ou será amor?

Não sei dizer.

Só sei que sinto sua falta, e também da gente.

E me acho uma tola.

Porque nunca foi recíproco.

Você me diz o que preciso.

Será que é só muito carinho como me diz?

Ou uma forma de eu nunca ter que "deixar" você e partir pra outra? 

Espero que seja a primeira opção. 

Não quero mais uma decepção. 

Muito menos contigo. 


sexta-feira, 17 de novembro de 2023

SERÁ QUE AS COISAS MUDARAM DE VERDADE?

 Eu olho a realidade de hoje,

E não vejo muita diferença, desde séculos atrás. 

As pessoas traíam tanto quanto hoje... Uns discretamente, outros na cara dura.

 O machismo ainda perdura.

Só que hoje mata-se mais mulheres por posse, ciúmes do que antes.

Ou tinha muita morte, e era tudo escondido, vai saber. 

Mulher antigamente não tinha voz ou valor: as únicas utilidades eram para parir, ser mãe, cuidar da casa e dar prazer.

Os mais ricos, principalmente os com títulos nobres só sabiam usar as mulheres para se divertirem. 

Compromisso com alguém? Nem pensar.

Só o instinto animal parece contar.

Será que é diferente de agora? Olhando as pessoas ultimamente, eu penso que não.

Violência? 

Desde a bíblia isso acontece... 

Caim matou Abel, e não parece que vai parar. 

Basta olhar as guerras acontecendo. Que tristeza!

Será que as coisas têm mudado de verdade?


quinta-feira, 26 de outubro de 2023

O AMOR E A SOLIDÃO NA VELHICE

 Alberto costumava ser um homem muito ativo, que trabalhava duro e viajava o Brasil inteiro no caminhão da empresa. Ele simplesmente não conseguia ficar parado, e era prestativo, pois sempre procurava ajudar quem precisava, se pudesse. O que acalentava seu coração era saber que sua mulher, Diana, que ele amava tanto, e seus cinco filhos esperavam-no ansiosos pela sua chegada em casa. Alberto prometeu à Diana que se aposentaria quando fizessem quarenta anos de casados. Eles não viam a hora desse momento acontecer, apesar de Alberto ficar receoso sobre o que faria da sua vida sem trabalhar.                    Flor, que era como ele a chamava, vivia para a família e nunca se arrependeu de não trabalhar fora, pois desde pequena dizia que queria ser mãe e casar.

Vários anos depois...

Uma semana após as bodas de quarenta anos, ambos estavam muito felizes e comemoraram com uma grande festa, onde reuniram muita gente que amava. Alberto deu entrada com um pedido de aposentadoria no dia seguinte às bodas. Diana estava dirigindo depois de levar seu neto à escola, uma caminhonete veio na direção contrária e colidiu  com o dela, infelizmente foi fatal. Assim que a polícia chegou ao local ligou para Alberto, informando o acidente e a fatalidade. Como era uma cidade pequena, todos o conheciam há muito tempo. O mundo dele desabou, e sentia que uma parte de si, a mais alegre, que via a vida de forma mais colorida, tinha morrido junto com ela. Por sorte ele tinha ido ao mercado próximo a sua casa, e não estava viajando. Alberto ligou para os filhos chorando, ele estava acabado, como se tivesse envelhecido uns dez anos em cinco minutos. No velório e funeral parecia que havia uma névoa de tristeza e choro. Alberto estava abatido, não comia, não dormia, enfim; não parecia o mesmo de sempre, e talvez nunca mais voltaria a ser.        Os dias se passaram, ele conseguiu se aposentar, mas a tristeza e a solidão não saíam de seu rosto. Seus filhos, apesar de tristes, seguiram suas vidas, mas precisavam cuidar do pai, não poderiam deixá-lo sozinho.                                         Alberto não queria sair de casa, deixar suas memórias, nem atrapalhar os filhos. Ao mesmo tempo que Giulia, Alex, Pablo, Taís e Ana diziam estar preocupados com o pai, eles sequer iam vê -lo, pois sempre davam a desculpa de muito trabalho, sem tempo. No entanto, também não aceitavam a ideia de colocá-lo em um lar para idosos. O que falariam deles?  Seriam péssimos filhos se fizessem isso. Eles conheciam o pai, e sabiam que ele não aceitaria um cuidador de idosos, um estranho em sua casa. Afinal, seu pai não estava debilitado, ou com alguma limitação  física, mental; o pai deles só estava vivendo um luto. Quando o pai tinha uma consulta marcada era  sempre uma discussão no grupo dos irmãos pra saber quem o levaria, já que ninguém nunca podia, até decidirem por quem tinha um horário um pouquinho mais flexível que os outros. Eles iam levando, e seu Alberto se sentindo cada vez mais sozinho.                                                                  Devido ao que tem passado, Alberto foi adoecendo, ficando cada vez mais magro. Ele não era mais aquele homem forte, cheio de vida, que sorria de verdade. Era como se ele tivesse morrido também junto com Diana.  Era difícil  encontrar um homem como ele ultimamente.        Os filhos o levavam ao médico e nada resolvia, até que não teve jeito e contrataram um cuidador, mesmo contra a vontade dele.                  Alberto estava tão desgostoso da vida, tão desanimado, que em questão de dois meses ele partiu. Aquele homem se foi sem curtir sua aposentadoria, que era tão esperada. No entanto, ele queria curti-la junto com o seu grande amor, sua flor, Diana.                                                              Os filhos ficaram órfãos de pai e mãe, e com o peso da culpa de que poderiam ter dado mais atenção, amor e apoio ao pai que morreu sozinho enquanto dormia.                                          Será que existe ainda um amor tão forte assim, como o de Albert e Diana? 


A MELANCOLIA DA IDADE

  Tudo está preto no branco. Ou você é a favor, ou é contra algo/ alguém. Principalmente sobre política. Não existe mais meio-termo. É 8/80...