Poema é arte de expressar o que sente, deixando a alma se expressar livremente, falando com o coração.
domingo, 24 de setembro de 2017
LEONA
Leona era uma criança linda; alta, de olhos castanhos, corpo mignon, ingênua, não conhecia totalmente as partes ruins e difíceis da vida. Até que do nada começou sentir dores nas mãos, pés e com o passar do tempo, em mais articulações. Ela e seus pais foram a inúmeros médicos, ela fizera diversos exames de todos os tipos e nada era descoberto, mas finalmente, depois de um longo ano de dores; noites sem dormir com a mãe, Laura, do lado; perdendo aulas; o pai, Gregory, tendo que levá-la no colo para não ter tanta falta; sem conseguir andar direito pelas manhãs; uma médica especialista a diagnosticou, como Artrite Reumatóide Juvenil. Somente ela e seus pais sabiam pelo que passavam, mas impossível descrever aos demais. Toda a família sofria ao vê-la perder peso, tomando vários medicamentos nas crises, sofrendo. Leona muitas vezes pensou em parar de lutar, mas resistira ao máximo, lutava fazendo fisioterapia constantemente por causa dos pais. Ela foi crescendo e suas limitações, deformações, só aumentavam devido a doença. Ela não suportava a dor ao andar e precisou se render a cadeira de rodas depois de uma certa relutância por parte dela e dos pais, mas ao contrário do que pensavam, foi a melhor atitude que tomaram. Ela começou a ver o que antes não dava para observar através do carro. Antes, até andar em casa era muito doloroso para ela, devido as sequelas deixadas pela doença. Seus pais sacrificavam suas vidas e sofriam escondidos por causa dela, pois ambos sentiam-se impotentes ao verem a filha naquela situação e eles sem saberem o que fazer para acabar o sofrimento. Ela sofria dobrado, pois além das dores havia também o sentimento de peso, de sentir que só atrapalhava as vidas de quem ela tanto amava.
Na escola não era muito diferente, especialmente quando havia festinhas e via todos dançando e ela ali presa àquela cadeira.
Na vida de Leona também havia muitos momentos alegres com suas amigas; reuniões em familia, horas de muitas risadas; conversas
de adolescentes; ela dançava no seu jeito e limite, pois ainda ama dançar.
Chegou a ficar alguns anos sem andar nada após uma cirurgia que infelizmente não deu o resultado esperado e nesse meio tempo, seu pai Gregory adoeceu e quase um ano depois eles perderam-no. Foi muito difícil para ela, já que seu pai era um pai maravilhoso e muito companheiro, mas pior ainda foi para sua mãe, Laura, que teve que tomar conta de Leona e administrar uma casa agora sozinha, lidar com seu outro filho que estava rebelde na adolescência sem aceitar bem a morte do pai. Leona fez várias cirurgias, continuou o tratamento e felizmente voltou a andar e isso deu um pouquinho de independência para ambas, mas só depois de mudar de estado e começar a faculdade de letras tudo melhorou. O tratamento totalmente diferente tem dado ótimo resultado a olhos vistos, pois hoje ela trabalha e faz o que antes não conseguia sozinha, apesar dela querer fazer muito mais, ajudar mais sua mãe, mas sempre que se esforça mais suas dores a vencem. Fez amigos, conheceu muita gente, estuda italiano. Ela teve muitas paixonites, tanto na vida real, quanto na virtual, mas nenhum se tornou namorado, teve poucos ficantes. Ela não é santa, nem pretende ser, mas também não é qualquer uma e se orgulha disso. Só espera um dia se sentir amada por alguém real, pois de virtual ela já se desiludiu muito. Ela só queria se sentir bonita e interessante como tantas mulheres que ela vê, conhece e que com certeza não pode competir, pois os homens não conseguem vê-la além dos seus limites.
Como será o fim de Leona? Arrumará um namorado algum dia? Ela deixará de se sentir um peso para quem ama e um incômodo para as pessoas quando sai para passear nas ruas com sua cadeira?
LORENZO, O FIM PASSIONAL
Lorenzo é um rapaz sempre passional nos seus dezesseis anos, sempre fora passional desde quando era criança, adorava brincar, correr e quanto mais crescia pior ele ficava. Ele é bem magro, baixo, usa um cabelo tipo moicano com as pontas de um loiro amarelado, usa um bigode fino e apaixonou-se quase veneramente por Sophie, uma bela moça, de estilo rockeiro. Ela vivia falando sobre músicas de rock e ele ouvia o tempo todo em seus fones de ouvido, já havia decorado a maioria das favoritas dela. Era uma paixão sem limite algum, mas ela o achava sinistro demais, ela sentia medo dele e ele não tinha nada a ver com ela.
Um belo dia ele a viu ficando com outro garoto do estilo dela e Lorenzo ficou louco de ciúmes. Ele não poderia fazer nada com ela, que era sua diva, nem com o carinha, então só restava sumir daquele mundo, já que não podia tê-la com ele e começou pesquisar vários meios de acabar com sua própria vida. Algo doloroso que o faria se crucificar por não ter capacidade de fazê-la ama-lo?ou algo indolor e rápido, para fazê-lo sofrer menos? Não queria fazer aquilo em sua casa, seria muito doloroso para sua família olhar naquele quarto ou banheiro e vê-lo morto, mas precisava encontrar o lugar perfeito urgentemente. Ele não suporta mais viver sem tê-la ao seu lado, era melhor acabar logo com tanto sofrimento, tanta angústia no peito. Ele descobriu uma casa abandonada no centro da cidade, um lugar perfeito para seguir seu plano e partir desse mundo. Ele deixou uma carta bem emocionante para seus pais e irmão sobre o quanto os amava e pedia perdão por estar fazendo o que iria fazer, mas que não suportava mais aquele mundo e aquela angústia.
Ele foi para a casa abandonada, tomou cinco comprimidos do antidepressivo da mãe e enquanto não fazia efeito ele escreveu a carta para Sophie dizendo o quanto a amava e que por não suportar mais vê-la com outro e o evitando feio bicho horrendo e bravo ele iria partir e para sempre. Ele meio embriagado por causa dos remédios pôs a carta já endereçada na caixa de coleta e voltou para a casa velha, arrumou a corda e a amarrou no pescoço, quando viu que estava num sono insuportável ele empurrou o banquinho e enfim realizou seu desejo.
Foi um dia de muita tristeza e sentimento de culpa por parte dos pais que se puniam severamente pelo que o filho fez, e na carta estava dizendo onde seu corpo estava e correram para lá chamando a polícia, necrotério e todas aquelas coisas que envolvem morte... Tristeza, choro, silêncio fúnebre devido o ocorrido. Sophie assistia a certa distância aquele enterro com lágrimas no rosto e culpa no coração, pedindo a Deus que os perdoasse. Ela por ter feito ele chegar àquele ponto, mesmo sem querer e ele por ter feito aquilo. Um dia todos irão se perdoar, pois nenhum na verdade teve culpa dele ser quem era e nem de sua louca obsessão por ela. Ela e nem ninguém é obrigado a corresponder ao sentimento do outro, se é que o que ele dizia sentir era realmente amor, mas agora tanto sua família quanto Sophie tentam seguir em frente.
DOROTHY E ESTEBAN
Dorothy é uma delicada, meiga e educada mulher na flor da juventude aos vinte anos, mas ela perdeu a filha de dois anos com leucemia há poucos meses atrás, e fora um tempo muito difícil para ela e o marido Germano, um homem mais maduro, porém charmoso com seus cabelos grisalhos, alto, corpo magro, tradicional nos seus cinquenta e três anos, mas também foi ainda mais difícil para Clara, pobre menina, com a delicadeza e meiguice da mãe, olhos puxados de oriental e alta como o pai. Era uma menina tão linda e risonha, falante, porém, a vida precisava seguir e o casamento deles continuar normalmente na medida do possível, só que a vida não é assim. A relação deles foi ficando cada dia mais rotineira, sem emoção, sem carinho, nem faziam mais amor há um bom tempo. Às vezes ela desconfiava que não sentia mais amor pelo marido e que talvez ele até a traísse. Homens dificilmente ficam muito tempo sem mulher, ou então ela não o atraisse mais. Ela ficava tão insegura, até que numa tarde de outono em maio, enquanto dava um passeio pelo calçadão de uma das praias mais belas de Florianópolis, vestida com um vestido longo estampado, um suéter vermelho, devido ao vento frio do fim da tarde, e quando sentou-se no banco para pensar em sua própria vida, reavaliando seus sentimentos, sentindo a falta de Clara, lágrimas escorreram de seus olhos. Em um certo momento, após secar os olhos olhou para o bar e viu seu marido com a mão na perna de uma morena de belas curvas, cabelos compridos ondulados, e beijando-a de um jeito insaciável. Ela o abraçou como se se conhecessem há muito tempo e enganando-a. Ela ficou furiosa e foi embora jogando a sua aliança no chão, pois daquele dia em diante estava só, mas livre de um casamento morto. Ela lhe enviou um SMS informando o que tinha visto e que o casamento acabou. Ele apenas respondeu-lhe que não queria mais e que mais tarde passaria para buscar suas coisas.
Ela andava apressadamente devido a raiva e alívio quando esbarrou-se sem ver e quase caiu quando Esteban a segurou com sua mão firme, seu corpo definido, de camiseta e short mostrando as suas pernas brancas torneadas, os seus olhos eram de um verde que mais pareciam a extensão do mar, o seu rosto quadrado, seus lábios desenhados e quando seus olhos se encontraram com os dela emitindo um desejo irresistível e sua mão firme segurando tua cintura causou-lhe um profundo arrepio pelo corpo.
Germano foi a sua antiga casa buscar suas coisas e não a encontrou, pois nessa hora ela já havia se entregado aos braços fortes e ao desejo deles no iate dele que velejava por aquele lindo e imenso mar sob um quadro negro chapiscado de estrelas. Fora um noite tórrida de prazeres e cada vez que se encontravam mais ela aprendia sobre novos prazeres em seu corpo e em lugares nunca imaginados, mas também conhecera muitas coisas boas que a vida podia oferecer, mas sem nenhum envolvimento emocional entre eles, apenas luxúria em todos os sentidos.
Ela nunca esqueceu ou esquecerá Clara, ela foi e é sua filha, sempre tem memórias lindas sobre ela e a amará eternamente, mas nessa hora ela precisava de um tempo de alegria para si. Ela não tinha ilusões sobre ele, sabia que não era única a desfrutar daquele corpo que a levava as nuvens, então se protegia e sabia que quando ele se cansasse dela ela simplesmente voltaria a focar mais no seu trabalho como auxiliar de cozinheira num restaurante da cidade. Se um dia aparecesse alguém para realmente ter um relacionamento o viveria, mas agora só queria viver um dia de cada vez colada ao corpo quente de Esteban.
JACK- UMA MODELO PLUS SIZE
Jackeline é uma linda garota com seus dezessete anos; inteligente, meiga, carinhosa, alegre, de personalidade forte, morena de olhos castanhos, baixa e anda enfrentando muito preconceito ouvindo brincadeiras que mais machucam do que fazem sorrir, críticas feitas ao seu sobrepeso.
Seus pais tentam fazê-la emagrecer levando-a a aulas de balé, natação, artes marciais, tudo que a faça perder peso e não sofrer o que ela vem sofrendo. Ela é muito ansiosa, e quanto mais ela tenta fazer as vontades dos outros e sente frustrada por decepciona-los, mais aumenta sua ansiedade fazendo-a comer sem limite e escondida. Levaram- na a psicóloga para tratar aquela ansiedade, porque nada que faziam parecia surtir efeito.
Numa manhã fria de Junho ela estava saindo de casa para ir a escola e encontrou um homem muito bonito que a chamou, ela ficou com medo, pois tinha ouvido falar de pedófilos e ele entregou para ela um cartão para ser plus size . Ela pegou o cartão e saiu andando de cabeça baixa sem direcionar os olhos para ele.
Ela pesquisou no Google e viu que era uma agência séria, bem reconhecida e pensou: por que não? Usar sua gordura como vantagem. Ela comentou com a mãe e foram a agência para conhecerem. Ela ficou surpresa com a quantidade de crianças e adolescentes até mais novas que ela na mesma situação. A mãe, Caroline, foi a secretaria para saber como funcionava para a filha poder ser uma modelo plus size e recebeu todas as informações necessárias. Elas ficaram tristes, pois o book sairia muito caro para o orçamento deles, todavia, ela não desistiu. Jackeline começou vender rifas de seu Notebook novinho na escola, nos cursos de natação, balé e muai-thai para poder pagar o book até que decidiu sair da natação, pois assim economizariam um pouco mais. A vida é feita de sacrifícios, de abrir mão de algo para alcançar o que realmente deseja.
Elas felizmente conseguiram o dinheiro suficiente e fizeram o book. Jack, como era conhecida por todos estava deslumbrante. Tinha um dom para ser modelo e com isso aprendeu a desfilar, pois na agência também fazia cursos para aprimorar seu talento. Ela ficava ainda mais linda enquanto modelava, seja desfilando ou tirando fotos em publicidade de alguma empresa. Conforme o tempo passava ela estava mais ciente do que queria para sua vida e amava ser modelo. Ela sempre cuidava da saúde, pois era essencial para seu trabalho, que mesmo acima do peso tinha que estar saudável.
Jack era muito querida por todos da agência.
Formou-se no ensino médio e prestou vestibular para artes, pois sabia que não poderia ser modelo para sempre, visto que sua carreira tem prazo de validade e um de seus professores da agência disse que ela poderia fazer aulas de teatro, pois levava jeito para isso. Ela passou para o curso e estava entusiasmada e ansiosa. Ela estudaria pela manhã, o período em que não tinham cursos na agência no Rio de Janeiro. Quem sabe algum dia ela poderia passar em um teste para trabalhar na rede Globo? Seria maravilhoso. Ela chegou tímida na faculdade, mas com o decorrer das aulas foi se sentindo mais tranquila e solta. Ela sabia que no início tudo é mais fácil, mas ela não é de desistir e prosseguiu no curso até o fim. No intervalo conversava com todos e todos se divertiam com ela.
Jack viajou por vários lugares no Brasil e começou a viajar por vários países também. Estava conhecendo muita coisa, aprendendo muita coisa e estava encantada.
Ela conseguiu um papel na novela das seis como atriz coadjuvante, até conseguiu prêmio no Faustão. E hoje aos trinta e cinco anos aposentou-se como modelo permanecendo apenas como atriz, ou melhor, cada dia uma atriz melhor. Ela participou da novela depois de um ano como atriz principal do horário nobre orgulhando os seus pais, parentes,amigos e principalmente a si mesma.
SCARLET
Jacob era um menino diferente, talvez mais sensível do que os garotos da escola, ou dos seus três irmãos mais velhos. Ele tinha seis anos e amava vestir as roupas, sapatos da mãe escondido e assistia a sua avó Elizabeth nos filmes totalmente encantado, uma famosa e elegante atriz de cinema da época. Seus pais eram ricos e tinham uma bela e enorme casa num bairro nobre em Recife-PE.
Ele mesmo começou a notar-se diferente com o passar dos anos. Ele recebia muito preconceito vindo do seu pai, irmãos, amigos que tentavam fazê-lo ser e gostar do que não tinha nada a ver com ele.
Ele sofreu muito no início, ainda mais na classe social em que estavam, o status que tinham. Uma certa noite ele não suportou mais deixar de assumir o que ele era e o que gostava e tentou conversar com sua família, mas infelizmente foi em vão, pois só trouxe discussões e nenhuma aceitação.
Ele amava qualquer tipo de arte, tanto que assim que atingiu a maioridade e conheceu Bryan, os dois tornaram-se grandes amigos e Bryan o convidou para ve-lo cantar na noite. Jacob foi e ficou maravilhado com o que via, seu amigo Bryan, que no palco se transformava em Sara Jhones, simplesmente levou a plateia ao delírio dublando Whitney Houston. Ele resolveu que queria ser Drag Queen, já que ele desde pequeno amava se vestir como uma mulher. Ele agora sonhava em se transformar em Drag durante a noite e arrumar um serviço normal durante o dia, assim talvez o preconceito fosse menor e havia até escolhido o seu nome artístico, Scarlet Elizabeth.
Ele só pensava em arrumar um trabalho urgentemente, pois sabia que quando seus pais soubessem da sua forma de fazer arte certamente o mandariam embora e ele teria que pagar aluguel, pagar contas, enfim, sobreviver, mas feliz. Ele conversou com Bryan sobre suas preocupações e também como se apaixonou pelo trabalho do amigo e se tinha espaço para ele. Bryan prometeu conversar com o dono da boate e ligaria para ele.
No dia seguinte o amigo ligou para Jacob e disse que a partir daquela noite ele passaria a ser Scarlet, mas sem o Elizabeth, pois seria demais. Jacob estava radiante e passou o dia dublando e interpretando como Gabby Amarantos enquanto a casa estava vazia. Ele estava muito nervoso na hora de se apresentar e apesar da timidez e nervosismo ele foi muito bem para a primeira noite. O dono da boate disse que se nos próximos shows ele continuasse tão bem ele seria contratado e ele foi. Ele conseguiu emprego de garçom numa lanchonete do vizinho . Ele finalmente criou coragem para contar para aos pais e irmãos. Sua mãe desmaiou pelo susto e decepção, foram muitos gritos, confusão e seu pai o mandou embora e ameaçou deserdá-lo. Ele já imaginava e pediu perdão por decepciona-los ou envergonha-los, mas ele não podia deixar de ser quem era e precisava fazer o que gostava. Seu pai e irmãos ficaram furiosos com ele, mas ele não deixaria de ser o que era por causa disso e foi embora. Ficou uns dias na casa dos pais de Bryan onde dividiram o mesmo quarto. Jacob tinha traços delicados, tanto faciais, quanto ao resto do corpo como de uma mulher. Bryan já tinha as feições mais másculas e uma voz grossa, sexy, era ótimo amigo, o que acabou fazendo Jacob se apaixonar e os dois acabaram tornando-se namorados. Scarlet e Sara estavam fazendo cada dia mais sucesso nas noites com suas dublagens e até foram convidados para apresentar em programas de tv, ambos apaixonados vivendo o amor e a fama.
Jacob um dia recebe ligação da mãe pedindo-o para voltar para casa, que ela era sua mãe é o amava como ele era, mas ele não quis por causa do pai e irmãos. Ela disse que eles acabaram aceitando por serem uma família. Ele ficou com receio e disse que estava namorando, perguntou se ele poderia ir junto com o namorado, pois teriam que aceitar os dois, a mãe disse que poderia levá-lo e combinaram de ir almoçar em família no sábado ao meio- dia, pois a noite havia show e tinha que dormir até umas 11 horas. Foi um resto de semana tenso, eles estavam muito nervosos com esse encontro. Foi o dia mais difícil para ambos, mal dormiram quando chegaram da boate, mas o almoço transcorreu sem discussões, apenas com certa tensão. Um dia eles viverão felizes em familia, haverá uma verdadeira aceitação de todos, mas por enquanto eles convivem com preconceito e fobias da melhor maneira possível e tentam ser eles mesmos sentindo realizados como Scarlet e Sara Jhones. Infelizmente.
SUORI
Suori é uma jovem descendente de japonês, sua mãe é filha de japoneses e seu pai um brasileiro do Ceará, eles moram no Japão. Ela é alta, com corpo atraente, cabelos negros no estilo Chanel, lábios carnudos, trabalha em um telejornal famoso da cidade de Nagasaki, ela é uma jornalista bem requisitada quando o assunto era política. Ela sempre dava sua opinião sincera e sensata sobre os dois lados. Todos respeitavam sua opinião tornando-a famosa até mesmo na mídia.
Um dia ela conheceu um homem muito charmoso, interessante e melhor, muito inteligente e com ótimo papo, algo raro ultimamente. Eles se encontraram na recepção do hotel onde ela se hospedaria naquela noite para no dia seguinte dar entrevista e por coincidência ele já estava hospedado e estava pegando a chave para ir para o seu quarto. Ele começou a falar coisas triviais, como quanto tempo ele se hospedava ali e como sempre era bem recebido e ela disse que era sua primeira vez no hotel e a conversa fluiu, pois ela também sabia falar português fluentemente por causa do pai e ela era muito agradável. Ele morava em São Paulo, mas como um grande empresário de logística sempre tinha reuniões no exterior. Ele era fisicamente atraente e não vivia cheio de si pelo corpo que possuía, assim como ela que precisava cuidar da aparência por ser uma pessoa que aparecia sempre na TV, mas não se preocupava em excesso com dieta ou exercitar-se, que na verdade ela odiava as duas coisas. Ele se interessava pela leitura e estava bem informado quanto as últimas notícias. Era muito charmoso, seu look mais social sem parecer sério demais e sua experiência de um homem de quarenta anos de cabelos grisalhos e ser viúvo o tornava ainda mais atraente. Ela estava completamente encantada, não parava de pensar nele um só minuto, mesmo quando se concentrava no trabalho.
Gustavo a chamou para jantar com ele, pois detestava fazer as refeições sozinho e assim se conheceriam melhor e ela acabou aceitando. Eles conversaram no restaurante do hotel e combinaram de almoçar juntos no dia seguinte após o trabalho deles e ela não recusou, pois estava amando conhecer um homem tão diferente daqueles narcisistas, alguns loucos e sem conteúdo que vinha conhecendo através de amigos ou internet. Na verdade, os virtuais prevaleciam, pois sequer tinha tempo para falar com os amigos para eles poderem indicar alguém interessante, mesmo que por telefone. Ela sempre voltava para casa frustrada, pois estava cansada dos mesmos tipos falsos de homens, que nas conversas pareciam tão interessantes e nos encontros mostravam-se o oposto e ela ficava entediada todas as vezes e estava desiludida na área sentimental até encontrar Gustavo.
Eles almoçaram juntos e depois foram dar um passeio por Tóquio e ele simplesmente segurou sua mão e sorriram um para o outro em silêncio continuando o passeio como um casal de namorados. De repente, ao entardecer ele a puxou para si e a beijou suavemente, para não assusta-la. Suori tinha trinta anos, havia tido pequenos namoricos, mas nada que durasse mais que seis meses, pois levava os estudos e depois o trabalho muito a sério e muitos homens não sabiam lidar com sua independência no jeito de pensar, especialmente em relação a política, que para a maioria deles era assunto para homens.
Ao chegar em casa, aquela mulher tão linda, de traços orientais e jeito de ser de brasileira, simplesmente se tornava uma menina, que vestia seu pijama azul bebê, prendia o cabelo e comia salgadinhos, lanche, o que tivesse na despensa ou geladeira, assistindo TV no sofá, às vezes assistia até mesmo um desenho animado, um de seus programas preferidos. Ela dava altas risadas em frente a tv antes de adormecer no sofá e acordar a meia noite. Muitas vezes sonhava que era como uma dessas heroínas de desenho, que veste um macacão sexy e voa para salvar a população de perigos, que lutava contra os inimigos, seu nome nos sonhos era Sayoro, a heroína das urgências, onde ela era uma executiva e ao ouvir seu relógio apitar ela dava uma distraída nos outros e voava para salvar alguém, com seu macacão azul, sua máscara e sua tiara. Sayoro usava seu batom que emitia luzes quentes ou congelantes dependendo da situação; seu relógio também servia para deixá-la invisível, miúda ou gigante e ela sempre se saia bem. Ela às vezes até se reunia com outros super- heróis famosos para combaterem os inimigos e suas maldades e salvarem mais pessoas. Ela sempre acordava super bem depois desses sonhos, mas naquele dia ela sonhou apenas com Gustavo e foi delicioso.
Ela logicamente nunca mencionara nenhum desses sonhos a ninguém, nem mesmo para sua prima, Sayioko, nem contara sobre Gustavo, ele foi como um sonho lindo que viveu em Tóquio e esse sonho pertencia apenas para ela ou ambos, pois ele certamente a esqueceu. Ele mesmo sem admitir, deveria ter muitas mulheres a seus pés; muito lindas, interessantes e que não pensariam meia vez para passar a noite com ele. Suori apesar de todo seu potencial, inteligência, doçura e profissionalismo nunca se achara interessante o bastante, linda o suficiente para fazer um homem como ele se interessar de verdade por ela e eles moravam muito longe. Ele nunca deixaria uma cidade como São Paulo para morar no Japão por ela e com ela, que já morava só há cinco anos. Ela tentou esquecê-lo e foi visitar os amigos quando saiu do trabalho, foi comer em um restaurante com a prima, passou o fim de semana na casa dos pais, junto com os irmãos gêmeos mais novos, cunhadas e sobrinhos. Tinha agora uma família grande e isso a distraia.
Um dia na correria do seu trabalho recebeu uma ligação, era ele, seu coração pulsava forte, quase ia a boca, ele simplesmente lhe pediu que fosse ao restaurante que ela tinha ido com a prima na semana passada, que ele estava em Nagasaki e precisava vê-la a noite e marcaram horário. Ela procurou chegar em casa mais cedo, se depilou, maquiou-se e vestiu seu vestido mais bonito para impressionar. Eles se encontraram, conversaram bastante e finalmente ele disse que estava ali porque não parava de pensar nela, que pensava estar apaixonado, que aquilo parecia loucura, já que se viram apenas duas vezes, mas que ela não saia de sua cabeça, nem conseguia se concentrar direito. Ela disse que não parava de pensar nele também. Eles se beijaram outra vez e saíram para seu carro, se beijaram mais e foram para o apartamento dela. Lá se amaram e foi maravilhoso, tomaram banho e café juntos e ele perguntou se poderiam morar juntos por um tempo ou seria apressar muito as coisas. Logicamente ela aceitou, pois não conseguia mais se imaginar sem ele ao seu lado. Ele conheceu a família dela em um jantar e todos aprovaram-no. Ela estava uma mulher realizada no profissional e no coração ao lado de quem amava. Agora ela além de sonhar salvando pessoas e lutando contra inimigos, a executiva e heroína Sayoro também tinha seu herói para salva-la e lutarem juntos contra os inimigos da vida real.
STEFANY
Stefany é uma jovem diferente. Assim que ela descobriu mais sobre si mesma resolveu se assumir como era ou queria ser; pintou suas mechas de roxo e azul, suas cores favoritas, usava cores fortes nas roupas, como vermelho, preto, azul escuro, roxo, amarelo, pouco se importando com moda ou críticas.
Tiffany é sua irmã mais nova e totalmente diferente em personalidade, mas fisicamente eram muito parecidas. Baixas, gordinhas, pele morena, lábios carnudos, cabelo cacheado e bochechas rechonchudas. Stefany cortou seu cabelo de forma assimétrica e raspou uma lateral do cabelo. Bem moderna para quem não liga para moda. Ela usava só shorts curtos com desfiados, camiseta de malha preta com estampas de animais ou de heavy metal e só calçava tênis. Ela era até estilosa, mas em nada agradava seus pais aquele estilo tão estranho.
Seu dia a dia era ir a faculdade de artes plasticas, pois amava pintar seus quadros, era lá que ela se mostrava quem era; ouvir suas musicas favoritas no fone de ouvido, ver filmes de terror aterrorizantes e comédias, ficar com garotos como ela, escrevia em seu diário virtual, com senha que andava com ela onde fosse.
Ela não tivera carinho nem atenção quando criança, embora ela soubesse que seus pais precisassem trabalhar muito para sustentar as filhas, pagar as contas mensais.
Sua imagem externa nunca mostrou exatamente quem ela era, mas sim, quem gostaria de ser, ousada, interessante, corajosa. Na verdade, ela era sim, muito corajosa, não é qualquer um que teria coragem de fazer o que ela fez com seu visual, sabendo que nao agradaria e seria julgada por isso. Ela não é risonha e brincalhona, ou tão querida como a Tiffany. Ela é quieta, triste na alma, até tem vontade às vezes de brincar com alguém, mas tem medo de não ser compreendida. No fundo, ela evitava dizer o que pensava ou sentia, pois percebia que ninguém estava a fim de ouvir ou saber. É como se o que ela tivesse para dizer não valesse nada para os outros, não acrescentaria em nada na vida de alguém, mas eram importantes para ela, então guardava para si. As duas irmãs não tinham nenhuma ligação ou afinidade, exceto o mesmo sangue. Viviam cada uma por si, em seus mundos particulares. Por ser quieta, reservada e gordinha, ela era praticamente invisível onde quer que fosse, especialmente na faculdade. Como ela tinha apenas dezessete anos, no começo do primeiro semestre a chamavam para ir as festas da faculdade e seus pais não permitiam, alegando que lá teria muita bebedeira e drogas, sexo e eles não queriam ela perto desse tipo de coisa, então seus colegas simplesmente a excluiram de seus grupos de amigos. Ela se sentia só, sentia que ninguém se importava de fato com ela, pois os pais sequer conversavam com ela, mal os via no fim de semana. Ela tinha medo de ir a essas festas, ouvia falar de tantas coisas ruins, como boa noite cinderela que ela mesmo as evitava, só saía mesmo com os pais quando raramente acontecia. Tiffany às vezes saía escondida dos pais para as festinhas com as amigas e voltava bem tarde, mas antes dos pais acordarem. Ela era bem esperta, ou pelo menos se achava assim. Stefany às vezes invejava a irmã por ser tão independente e tão sociável aos quinze anos. Ela se sentia carente de tudo, mas não saia por aí pedindo ou impondo nada a ninguém. Afinal, carinho e amor não se pede, apenas merece e recebe. E ela sentia que não merecia nada, pois não recebia. Talvez fosse culpa dela mesmo por ser como é e ninguém sequer a notar, ou simplesmente era drama de adolescente. Ela não sabe, mas espera que um dia ela consiga ser diferente, ser como ela gostaria de ser e receber o que merece.
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