Poema é arte de expressar o que sente, deixando a alma se expressar livremente, falando com o coração.
domingo, 24 de setembro de 2017
SUORI
Suori é uma jovem descendente de japonês, sua mãe é filha de japoneses e seu pai um brasileiro do Ceará, eles moram no Japão. Ela é alta, com corpo atraente, cabelos negros no estilo Chanel, lábios carnudos, trabalha em um telejornal famoso da cidade de Nagasaki, ela é uma jornalista bem requisitada quando o assunto era política. Ela sempre dava sua opinião sincera e sensata sobre os dois lados. Todos respeitavam sua opinião tornando-a famosa até mesmo na mídia.
Um dia ela conheceu um homem muito charmoso, interessante e melhor, muito inteligente e com ótimo papo, algo raro ultimamente. Eles se encontraram na recepção do hotel onde ela se hospedaria naquela noite para no dia seguinte dar entrevista e por coincidência ele já estava hospedado e estava pegando a chave para ir para o seu quarto. Ele começou a falar coisas triviais, como quanto tempo ele se hospedava ali e como sempre era bem recebido e ela disse que era sua primeira vez no hotel e a conversa fluiu, pois ela também sabia falar português fluentemente por causa do pai e ela era muito agradável. Ele morava em São Paulo, mas como um grande empresário de logística sempre tinha reuniões no exterior. Ele era fisicamente atraente e não vivia cheio de si pelo corpo que possuía, assim como ela que precisava cuidar da aparência por ser uma pessoa que aparecia sempre na TV, mas não se preocupava em excesso com dieta ou exercitar-se, que na verdade ela odiava as duas coisas. Ele se interessava pela leitura e estava bem informado quanto as últimas notícias. Era muito charmoso, seu look mais social sem parecer sério demais e sua experiência de um homem de quarenta anos de cabelos grisalhos e ser viúvo o tornava ainda mais atraente. Ela estava completamente encantada, não parava de pensar nele um só minuto, mesmo quando se concentrava no trabalho.
Gustavo a chamou para jantar com ele, pois detestava fazer as refeições sozinho e assim se conheceriam melhor e ela acabou aceitando. Eles conversaram no restaurante do hotel e combinaram de almoçar juntos no dia seguinte após o trabalho deles e ela não recusou, pois estava amando conhecer um homem tão diferente daqueles narcisistas, alguns loucos e sem conteúdo que vinha conhecendo através de amigos ou internet. Na verdade, os virtuais prevaleciam, pois sequer tinha tempo para falar com os amigos para eles poderem indicar alguém interessante, mesmo que por telefone. Ela sempre voltava para casa frustrada, pois estava cansada dos mesmos tipos falsos de homens, que nas conversas pareciam tão interessantes e nos encontros mostravam-se o oposto e ela ficava entediada todas as vezes e estava desiludida na área sentimental até encontrar Gustavo.
Eles almoçaram juntos e depois foram dar um passeio por Tóquio e ele simplesmente segurou sua mão e sorriram um para o outro em silêncio continuando o passeio como um casal de namorados. De repente, ao entardecer ele a puxou para si e a beijou suavemente, para não assusta-la. Suori tinha trinta anos, havia tido pequenos namoricos, mas nada que durasse mais que seis meses, pois levava os estudos e depois o trabalho muito a sério e muitos homens não sabiam lidar com sua independência no jeito de pensar, especialmente em relação a política, que para a maioria deles era assunto para homens.
Ao chegar em casa, aquela mulher tão linda, de traços orientais e jeito de ser de brasileira, simplesmente se tornava uma menina, que vestia seu pijama azul bebê, prendia o cabelo e comia salgadinhos, lanche, o que tivesse na despensa ou geladeira, assistindo TV no sofá, às vezes assistia até mesmo um desenho animado, um de seus programas preferidos. Ela dava altas risadas em frente a tv antes de adormecer no sofá e acordar a meia noite. Muitas vezes sonhava que era como uma dessas heroínas de desenho, que veste um macacão sexy e voa para salvar a população de perigos, que lutava contra os inimigos, seu nome nos sonhos era Sayoro, a heroína das urgências, onde ela era uma executiva e ao ouvir seu relógio apitar ela dava uma distraída nos outros e voava para salvar alguém, com seu macacão azul, sua máscara e sua tiara. Sayoro usava seu batom que emitia luzes quentes ou congelantes dependendo da situação; seu relógio também servia para deixá-la invisível, miúda ou gigante e ela sempre se saia bem. Ela às vezes até se reunia com outros super- heróis famosos para combaterem os inimigos e suas maldades e salvarem mais pessoas. Ela sempre acordava super bem depois desses sonhos, mas naquele dia ela sonhou apenas com Gustavo e foi delicioso.
Ela logicamente nunca mencionara nenhum desses sonhos a ninguém, nem mesmo para sua prima, Sayioko, nem contara sobre Gustavo, ele foi como um sonho lindo que viveu em Tóquio e esse sonho pertencia apenas para ela ou ambos, pois ele certamente a esqueceu. Ele mesmo sem admitir, deveria ter muitas mulheres a seus pés; muito lindas, interessantes e que não pensariam meia vez para passar a noite com ele. Suori apesar de todo seu potencial, inteligência, doçura e profissionalismo nunca se achara interessante o bastante, linda o suficiente para fazer um homem como ele se interessar de verdade por ela e eles moravam muito longe. Ele nunca deixaria uma cidade como São Paulo para morar no Japão por ela e com ela, que já morava só há cinco anos. Ela tentou esquecê-lo e foi visitar os amigos quando saiu do trabalho, foi comer em um restaurante com a prima, passou o fim de semana na casa dos pais, junto com os irmãos gêmeos mais novos, cunhadas e sobrinhos. Tinha agora uma família grande e isso a distraia.
Um dia na correria do seu trabalho recebeu uma ligação, era ele, seu coração pulsava forte, quase ia a boca, ele simplesmente lhe pediu que fosse ao restaurante que ela tinha ido com a prima na semana passada, que ele estava em Nagasaki e precisava vê-la a noite e marcaram horário. Ela procurou chegar em casa mais cedo, se depilou, maquiou-se e vestiu seu vestido mais bonito para impressionar. Eles se encontraram, conversaram bastante e finalmente ele disse que estava ali porque não parava de pensar nela, que pensava estar apaixonado, que aquilo parecia loucura, já que se viram apenas duas vezes, mas que ela não saia de sua cabeça, nem conseguia se concentrar direito. Ela disse que não parava de pensar nele também. Eles se beijaram outra vez e saíram para seu carro, se beijaram mais e foram para o apartamento dela. Lá se amaram e foi maravilhoso, tomaram banho e café juntos e ele perguntou se poderiam morar juntos por um tempo ou seria apressar muito as coisas. Logicamente ela aceitou, pois não conseguia mais se imaginar sem ele ao seu lado. Ele conheceu a família dela em um jantar e todos aprovaram-no. Ela estava uma mulher realizada no profissional e no coração ao lado de quem amava. Agora ela além de sonhar salvando pessoas e lutando contra inimigos, a executiva e heroína Sayoro também tinha seu herói para salva-la e lutarem juntos contra os inimigos da vida real.
STEFANY
Stefany é uma jovem diferente. Assim que ela descobriu mais sobre si mesma resolveu se assumir como era ou queria ser; pintou suas mechas de roxo e azul, suas cores favoritas, usava cores fortes nas roupas, como vermelho, preto, azul escuro, roxo, amarelo, pouco se importando com moda ou críticas.
Tiffany é sua irmã mais nova e totalmente diferente em personalidade, mas fisicamente eram muito parecidas. Baixas, gordinhas, pele morena, lábios carnudos, cabelo cacheado e bochechas rechonchudas. Stefany cortou seu cabelo de forma assimétrica e raspou uma lateral do cabelo. Bem moderna para quem não liga para moda. Ela usava só shorts curtos com desfiados, camiseta de malha preta com estampas de animais ou de heavy metal e só calçava tênis. Ela era até estilosa, mas em nada agradava seus pais aquele estilo tão estranho.
Seu dia a dia era ir a faculdade de artes plasticas, pois amava pintar seus quadros, era lá que ela se mostrava quem era; ouvir suas musicas favoritas no fone de ouvido, ver filmes de terror aterrorizantes e comédias, ficar com garotos como ela, escrevia em seu diário virtual, com senha que andava com ela onde fosse.
Ela não tivera carinho nem atenção quando criança, embora ela soubesse que seus pais precisassem trabalhar muito para sustentar as filhas, pagar as contas mensais.
Sua imagem externa nunca mostrou exatamente quem ela era, mas sim, quem gostaria de ser, ousada, interessante, corajosa. Na verdade, ela era sim, muito corajosa, não é qualquer um que teria coragem de fazer o que ela fez com seu visual, sabendo que nao agradaria e seria julgada por isso. Ela não é risonha e brincalhona, ou tão querida como a Tiffany. Ela é quieta, triste na alma, até tem vontade às vezes de brincar com alguém, mas tem medo de não ser compreendida. No fundo, ela evitava dizer o que pensava ou sentia, pois percebia que ninguém estava a fim de ouvir ou saber. É como se o que ela tivesse para dizer não valesse nada para os outros, não acrescentaria em nada na vida de alguém, mas eram importantes para ela, então guardava para si. As duas irmãs não tinham nenhuma ligação ou afinidade, exceto o mesmo sangue. Viviam cada uma por si, em seus mundos particulares. Por ser quieta, reservada e gordinha, ela era praticamente invisível onde quer que fosse, especialmente na faculdade. Como ela tinha apenas dezessete anos, no começo do primeiro semestre a chamavam para ir as festas da faculdade e seus pais não permitiam, alegando que lá teria muita bebedeira e drogas, sexo e eles não queriam ela perto desse tipo de coisa, então seus colegas simplesmente a excluiram de seus grupos de amigos. Ela se sentia só, sentia que ninguém se importava de fato com ela, pois os pais sequer conversavam com ela, mal os via no fim de semana. Ela tinha medo de ir a essas festas, ouvia falar de tantas coisas ruins, como boa noite cinderela que ela mesmo as evitava, só saía mesmo com os pais quando raramente acontecia. Tiffany às vezes saía escondida dos pais para as festinhas com as amigas e voltava bem tarde, mas antes dos pais acordarem. Ela era bem esperta, ou pelo menos se achava assim. Stefany às vezes invejava a irmã por ser tão independente e tão sociável aos quinze anos. Ela se sentia carente de tudo, mas não saia por aí pedindo ou impondo nada a ninguém. Afinal, carinho e amor não se pede, apenas merece e recebe. E ela sentia que não merecia nada, pois não recebia. Talvez fosse culpa dela mesmo por ser como é e ninguém sequer a notar, ou simplesmente era drama de adolescente. Ela não sabe, mas espera que um dia ela consiga ser diferente, ser como ela gostaria de ser e receber o que merece.
MARI
Mari é uma mulher de sessenta anos, olhos de um azul profundo e hipnotizante, seu cabelo loiro com algumas mechas brancas, fruto da idade e experiência de vida, alta e muito magra, herança de sua mãe, Ana. Quem a olha logo imagina, que mulher elegante, deve ser arrogante, rica e mimada.
Mari tem simplesmente um bom gosto para roupas e sua elegância vem dela mesma, não de uma riqueza que ela não possui.
Ela foi criada no campo, trabalhou toda sua infância e adolescência plantando legumes e hortaliças, como alface, couve, taioba... para sobreviver, juntamente com seus pais e cinco irmãos no norte do Brasil, em Roraima. Eles sempre passaram dificuldades, porém tinham união, paz e eram gratos. Viviam felizes mesmo trabalhando sob o sol forte todos os dias e comendo marmita fria sob um pé de jatobá, no qual se refrescavam do calor ardente. Mari, com quinze anos sempre ia a uma nascente a um quilômetro dali para pegar água fresca para matarem a sede.
Ela adorava ir lá só, pois assim podia ficar com seus pensamentos, sonhando com uma vida que não tinha, com uma adolescência igual a de outras garotas da sua idade, que ela assistia pela TV. Ela estudava pela manhã, sua escola era muito fraca no sentido educacional, mas era o que ela tinha e se esforçava, dedicava-se aos estudos quando chegava em casa após ajudar sua mãe a fazer as tarefas domésticas, cozinhar...
Quando acabou seus estudos aos dezessete anos decidiu mudar-se para uma cidade maior, ter mais oportunidades, ser empregada doméstica e dormir no serviço, assim economizaria com aluguel. Uma parte do salário mandaria para os pais e com a outra parte pagaria um cursinho para fazer vestibular e pagar transporte, sonhava em fazer faculdade e ser uma professora. Sonhava em ensinar àquelas crianças o que sabia, queria que elas tivessem uma vida melhor e lutassem por isso, acreditassem que eles poderiam fazer qualquer coisa, porém com honestidade e humildade. Ela conseguiu um trabalho através de sua professora Rita, que tinha parentes em Boa Vista, na capital, no qual a contrataram imediatamente, pois gostaram dela e concordaram que ela sairia todas as noites para ir estudar. Eles lhe deram as cópias das chaves de casa, regras e horários das refeições.
Ela no dia seguinte conseguiu uma folga pela manhã para fazer o que precisasse, como: se inscrever para o cursinho, cortar o cabelo, fazer as unhas das mãos e pés, pois onde morou não existia esse tipo de coisa, mas na cidade grande não queria se sentir envergonhada perante os colegas e professores. Era uma jovem muito bonita e educada, tímida, dedicava-se ao estudo quando chegava do cursinho a meia- noite, pois vinha para casa de ônibus. Ela era tratada quase como uma filha, mas com obrigações domésticas. Sua rotina passou a ser trabalhar até às 5 e meia da tarde, ir para o cursinho que começava as sete, sair de lá às onze, pegar um ônibus, chegar em casa a meia noite e estudar só dormindo três horas por noite, pois só conseguia pegar no sono lá pelas três da madrugada. Essa rotina permaneceu por anos, pois após o cursinho ela conseguiu passar no vestibular para faculdade de letras e formou quatro anos depois. Na faculdade no quarto período ela conheceu Pablo, um negro bonito; alto, olhos castanhos, cabeça raspada, forte, simpático, com um sorriso de tão branco que deixava todas as mulheres hipnotizadas; inteligente e assim como ela, dedicado aos seus objetivos. Começaram a namorar e assim, um ajudava o outro. Logo que se formaram resolveram ficar noivos, pois assim que os estágios deles acabaram, ambos foram contratados- ela por uma escola primária e ele por uma do ensino fundamental e médio, embora fosse ensinar apenas para o médio.
Um ano após eles se casaram, no qual,os patrões de Mari dá a casa onde ela trabalhou foram seus padrinhos de casamento, como forma de agradececimento por tudo que fizeram por ela.
Mari e Pablo foram morar em sua casa que conquistaram após economizarem durante o noivado e as casas no norte não serem tão caras como no restante do país.
Nas férias eles foram visitar seus pais, pois no casamento eles não tiveram condições de ir. Os pais de Pablo moravam também no interior, a 200 quilômetros da cidade dos pais de Mari. Foi uma felicidade enorme quando se reuniram, tanto na casa dos pais dela, quanto na casa dos pais dele.
O casal se amava muito e a realização do sonho deles de ensinarem completava tudo isso,apesar dos desafios diários de educadores numa região que praticamente não recebe os incentivos do governo, se compararmos as regiões principais, sul e sudeste.
Eles descobriram que não poderiam ter filhos, foi uma tristeza para ambos, mas também não poderiam pagar por um tratamento tão caro, pois eram professores públicos do estado e não ganhavam tão bem. Eles então foram ao cartório afim de adotar uma criança, pois pretendiam ser uma família. O processo é longo e burocrático e quando foram ao orfanato da cidade viram muitas crianças, mas apenas Luan chamou atenção do coração deles, um menino de quatro anos, moreno, magro, pequeno, alegre, sem um dos braços por má formação, esperto, falava muito e não parava um minuto. Eles não tiveram dúvidas de que queriam aquele menino e o processo de adoção começou, duas semanas depois eles conseguiram levá-lo para passar uns dias em sua casa, depois passou a ser meses, a assistente social sempre a fazer visitas para ver a adaptação da criança, mas tudo parecia estar perfeito até que conseguiram a adoção de Luan, ainda que não permanente, mas provisória e isto lhes dava muita alegria, pois já amavam o menino como um filho.
Ele frequentava a creche enquanto os dois trabalhavam, quando Pablo ia buscá-lo dava banho, o trocava, adiantava o jantar para ajudar Mari e para o menino não comer tão tarde, brincava com ele até a mãe chegar,terminar o jantar, dar-lhe comida, ensiná-lo a ler, contar uma estória para ele e po-lo para dormir às 8:30 da noite, pois liam muito sobre como é importante uma criança dormir muito e bem para ajuda-lo a crescer saudável. Eram como quaisquer pais; o educavam, davam amor, carinho, limites, uma família, um lar e avós que o amavam depois de ve-lo, pois antes os criticavam. Como pode, tanto bebê aí bonito e "perfeito" e vocês escolheram um já grande e aleijado?Quando o viram tudo mudou. Foi paixão instantânea, tanto dos avós, quanto dos tios e primos. Eles viram que amor não vê aparência, gênero, cor, apenas se sente e vive.
SAMARA
Samara é uma mulher madura, com seus quarenta anos, mas ainda com aparência jovial de pele negra, olhos acinzentados, cabelos acobreados, poucas marcas de expressão no rosto, uma risada cativante e simpatia que envolve todos a sua volta, pois expressa uma aura leve de menina. Mora sozinha no seu apartamento em Belo Horizonte-MG, que ela conquistou com árduo trabalho ao longo dos vinte e cinco anos na empresa de publicidade, vaga que conseguiu no estágio na época da faculdade pública, devido seu talento e potencial criativo lá ela permanece e hoje é sócia.
Ela é filha única, pois sua mãe teve um problema no parto e tivera que retirar o útero, ou morreria.Todavia, Samara é solidária, não foi muito mimada, apesar de não ter irmãos, pois suas amigas da escola e da vida ajudaram- na a suprir a solidão, assim como seus livros de aventuras e romances. Hoje ela tem pelo menos dois livros no seu criado-mudo como passatempo, pois seus pais sempre ensinaram-na a importância da educação, da leitura e do amor pelo próximo e principalmente por si mesma. Seu pai era encanador e sua mãe, professora do primário numa escola pública estadual em Monte Azul-MG. Eles faleceram há dois anos num acidente de carro, que a filha dera poucos anos antes e pagou a aula de habilitação do pai.
Namorava Eduardo há quatro anos, e ele infelizmente sonhava em casar-se com Samara que já disse desde o início para ele que não acreditava em casamento. Um homem forte, alto, cabelos escuros, mas muito conservador nos pensamentos, mesmo sendo dez anos mais jovem que sua amada.
Ela não deseja casar-se nem com ele nem com ninguém, nem constituir família, mesmo amando-o muito, ao contrário de suas amigas de infância e adolescência que escolheram constituir suas próprias famílias, talvez para saírem das regras dos pais, ou simplesmente para realizar seus sonhos de contos de fadas e serem donas de casa de comerciais, mães e hoje estão todas frustradas, infelizes. Porém, ela nunca fez as amigas pensarem como ela. Escolha alheia é algo que não se opina, apenas fica do lado da pessoa quando ela vê que tomou as decisões erradas e tenta aconselhar da melhor forma e apoia-las. Ela é uma tia orgulhosa dos sobrinhos do coração.
Suas amigas sempre tentam persuadi-la a casar-se com Eduardo, que a ama tanto e ele irá cansar uma hora e ela acabará só. Que isso é triste, mas nada disso a faz mudar de opinião. Se caso ficar só, fazer o quê? Será uma escolha dele e ela o quer feliz, seja com ela ou não. Ela até admira as amigas por serem fortes e não terem desistido dessa vida que levam e tentarem algo diferente.
Samara sempre foi firme em suas opiniões, sempre fora forte e conseguiu superar a morte dos pais apesar da falta que fazem na sua vida. Ela sempre foi carinhosa e paciente com eles, ligava toda semana e dizia o quanto os amava.
O seu único arrependimento foi não tê-los trazido para morar com ela em BH, mas no fundo sabia que não iriam, que a vida deles era na cidade pequena com as pessoas que conheciam há anos, na casinha reformada deles e com seus velhos costumes.
Eduardo era engenheiro elétrico e na empresa em que trabalha chegou uma nova funcionária, Giovana, uma mulher bonita, atraente, mas discreta e o atraiu. Ele se puniu por sentir atraído por outra mulher. Ela também se sentiu atraída por ele e ambos sentiram uma afinidade inexplicável, pois assim como ele, Giovana era engenheira e agora trabalham juntos. Eles acabaram trocando olhares em um almoço e sem pensar ele tocou a mão dela e mais tarde, no carro ele a beijou e ela correspondeu. Pelo resto do dia ele não a encarou, não por não gostar do beijo, mas sim porque a culpa o corroía por dentro. Ele apareceu na casa de Samara a noite e ela ficou preocupada pois ele aparentava estar chateado e abatido. Ele sentou no sofá frente a ela e pediu perdão, mas não podia mais namorá-la. Por que? Ela perguntou. Ele só disse a verdade, que havia conhecido uma nova colega de trabalho e havia se envolvido com ela além do profissional e que ela queria uma família,assim como ele. Ela o abraçou e ambos choraram, mas ela o desejou felicidade e foi sincera, pois ele a fez feliz por um longo tempo e ele merecia ter o que ela não poderia dar.
Ele foi embora cabisbaixo e quieto. Ela foi para o quarto e chorou até adormecer.
Ela trabalhou arduamente durante os próximos dias, visitou as amigas, tirou uns dias de folga para ver sua melhor amiga, Ane que se mudou com o marido para a Bahia, devido o trabalho do marido, que fora transferido. Foram dias maravilhosos, pois conversou bastante com a amiga, passeou, curtiu os sobrinhos, ficou com um baiano com conheceu em um bar numa das praias de Salvador.
Ela voltou para BH, adotou um cachorro nesses abrigos de cães abandonados e lhe deu o nome de Bob. Cuidava dele com todo amor e quando voltava para casa ele e seus livros eram suas companhias e prazer e estava feliz.
Ela provou para si mesma que não precisava de um homem ou filhos para se sentir feliz e realizada na vida, mas se você só acha que é feliz formando uma família, que seja. O importante é sentir bem e amado, seja por pessoas como os amigos ,seja por seu animal de estimação.
Samara se sente feliz agora, mas pode não sentir no futuro, pode mudar de ideia e arrumar um companheiro para morar com ela, ou não. Tudo pode mudar a cada segundo. A vida é assim.
E você?...Você é feliz do jeito que está?
AMIZADE SEM BARREIRAS
Rebeca, uma menina esperta, de uns seis anos, cabelos ruivos trançados, nariz e bochechas cheias de sardas, olhos grandes castanho- esverdeados, gordinha, ela adorava brincar. Seu melhor e único amigo era Vitor, um garoto da mesma idade, era negro, de olhos pretos, cabelos pretos e afro e ela era também sua única amiga. Todas as crianças de sua turma e até mesmo da escola riam deles, tiravam sarro por serem como são. Muitas vezes Rebeca chorava sozinha no seu quarto. Ela ficava triste e muitas vezes comentava com o amigo, os dois se davam as mãos e enfrentavam juntos as brincadeiras bobas dos coleguinhas.
Um dia, porém, ela teve coragem e disse aos seus pais, pois seu pai a viu chorar assim que chegou da escola, logo foram à escola, seu pai José, muito bravo fez seus colegas pedirem desculpas para ela e seu amigo, nunca mais ninguém zombou de ambos.
Mas a vida nunca é justa ou perfeita e seu pai foi transferido para uma cidade bem distante para trabalhar e sua família o acompanhou. Foi muito choro e abraços dos dois amigos.
A amizade das crianças chegou ao fim, seus pais pensaram, mas amizade verdadeira nunca acaba. Graças às redes sociais os dois se falam sempre, também jogam juntos e esperam que seja para sempre esse sentimento tão forte e bonito, que supera qualquer barreira.
STAR
Star era uma estrela muito esperta. Assim que nasceu, sua mãe Frida, já com milhares de anos, deu-lhe o nome, pois já via naquela estrelinha, um brilho diferente. Ele quando pequeno amava brincar nas nuvens de esconde- esconde, de saltar nuvens. Seus melhores amigos eram dois pardais, Tico e Gaspar, filhotes que também amavam brincar com Star. Ele adorava provocar outras estrelas mais velhas e muitas vezes sua mãe o colocava de castigo, sozinho na nuvem e o proibia de brincar por um dia todo e o brilho dele se apagava, quase não o via da Terra. Seu pai, o cometa Bob, quase nunca o via, pois vivia passando por todo o mundo, encantando a todos e recebendo vários pedidos. A fé que as pessoas têm o impressionava.
Star foi crescendo, oras rebelde, oras boa estrela.
O sonho dele era fazer parte do cruzeiro do sul, ele teve que se esforçar, se comportar, pois as estrelas do cruzeiro do sul eram famosas, entao ele fez o q pediam, muitas vezes ele queria desistir, mas seu brilho era muito grande, sua mãe sempre o convencia a persistir, depois de um longo tempo as estrelas reconheceram que ele poderia ser a estrela e o chamou pra fazer parte do cruzeiro do sul. Foi o dia mais feliz da sua vida.
Hoje Star ilumina nossas noites, mas sempre querendo algo mais. Isso que o faz viver, lutar pra ter outros sonhos e alcançá-los.
ROGER
Um dia de muito sol nascia Roger, um menino valente, corajoso, mas frágil fisicamente. Ele nascera com uma má formação na retina, que nem cirurgia resolveria, portanto, o garotinho ficara cego desde o nascimento.
Não foi nada fácil para Michele e André receberem a notícia daquele modo. Houve um certo desespero. O que fazer agora? Como cuidar de uma criança deficiente? De algo eles tinham certeza_ o amariam ainda mais e cuidariam dele, dando o melhor deles, mesmo sem saber se o que estavam fazendo era o certo, mas que pais sabem o que é certo como pais de primeira viagem?
Eles o levaram a um oftalmologista e a uma associação para deficientes visuais para saberem como lidar com ele e ensiná-lo a ter uma vida mais independente, se adaptar.
Os pais não o mimavam em excesso, pois seria prejudicial para a independência dele. Ele era moreno, forte, esperto, sorridente e às vezes bem bravo.
Todos amavam brincar com ele, pois dificilmente estranhava alguém.
Ele já com um ano estava começando querer andar sozinho, era independente, já sabia se arrastar por toda a casa sem bater em nada.
O tempo passou, ele cresceu e tornou-se um rapaz bonito e independente. Ia a todos os lugares com sua bengala, às vezes contava com ajuda das pessoas, e fazia até café sozinho.
Ele era brincalhão, e fazia todos rirem a sua volta. Era estudioso, mas não do tipo nerd, era bem sociável.
Seu maior sonho era trabalhar em uma empresa, mas mesmo já tendo se formado em psicologia, não conseguia vaga em nenhum lugar.
Como tinha uma voz forte, marcante, ele procurou por emprego numa rádio da sua cidade de Mineiros, em Goiás e por uma graça grande, eles lhe deram um emprego como radialista, para dar as notícias das dez dá manhã até o meio-dia. Ele não estava mais suportando ficar em casa sem nada para fazer, sentia- se um inútil e às vezes ia a associação para deficientes visuais. Ele já havia aprendido muita coisa, inclusive ler e escrever em braile, na verdade ele só continuava indo para não perder contato com os amigos que fez por lá, especialmente Giovani seu melhor amigo. Eles saiam e divertiam-se juntos, tinham uma afinidade de irmãos.
Ele estava com vinte anos e nunca havia ficado com ninguém.
Um dia ele desabafou com seu amigo, que gostava de uma moça, Alexia, uma adorável ouvinte da rádio. Ela o reconheceu na praça um dia a noite quando o ouviu conversar com Giovani, pois sua voz era inconfundível e logo se aproximou, pediu desculpas por incomodar e se apresentou. Conversaram por um tempo, deram boas risadas e bastou para ele se encantar por ela. Ele mal sabia que ela também se encantou por ele, mas não tinha coragem para dizer-lhe. Neste assunto era muito tímida. Não conseguia ser moderna que chega no homem e já o seduz. Ela não sabia como ser sexy, embora para Roger ela era muito sexy, mesmo sem poder vê-la. A voz rouca e alegre dela quando falava, sua risada escancarada sem vergonha de ser ela mesma. Era mais sexy do que usar uma roupa provocante, da qual ele não podia ver.
Um dia trabalhando na rádio, uma ouvinte liga e pede uma música e pra sua surpresa era Alexia, porque ela fez mais do que pedir uma música atual, sua amada pediu Como é grande o meu amor por você e disse: Roger, essa música é para você, pois descobri que eu te amo. O colega pôs a música para tocar.
Ele simplesmente ficou sem fala, emocionado e conseguiu dizer um eu te amo com a voz embargada com tamanha emoção.
Seu amigo Giovani e Alexia haviam armado tudo isso, juntamente com o colega de rádio, Nathan. O programa de Roger saiu do ar e ele saiu para se encontrarem, mal sabendo ele que ela já estava lá esperando-o ansiosa.
Giovani apareceu e o guiou até ela e ele sem entender o porquê de seu amigo estar ali, mas começando adivinhar o que estava acontecendo. Alexia o abraça pela cintura e ele sentindo seu perfume que o inebria sempre também a abraça por um longo tempo e em silêncio ele toca seu rosto e vai beijando-a até encontrar seus lábios e beija-la suavemente.
Eles começam a namorar e em seis meses se casam. O dia mais feliz de suas vidas. Um casamento bonito, mas simples, sem luxo, pois não tinham dinheiro para gastos supérfluos, apenas compraram uma cama de casal, guarda roupa, pois morariam com os pais de Roger. Ambos não tinham condições de alugar uma casa, comprar móveis e pagar contas básicas, comprar comida, mas ajudariam os pais dele no que fosse possível.
A relação deles era de harmonia, cumplicidade, diálogo, respeito e muito amor. Discussões bobas raramente tinham, mas é normal, nada que uma conversa e uns beijos não resolvam.
Passaram-se alguns anos e ele conseguiu uma bolsa para seu mestrado, quando Alexia o surpreendeu com uma gravidez.
Ele quis desistir, mas ela não deixou. Nunca se deve desistir do sonho, ou deixar passar oportunidades, pois às vezes elas só passam uma vez na vida.
Ganharam Brenda e seis meses após ele conseguiu passar no seu mestrado. Foi uma grande vitória, pois ele e Alexia passavam a noite estudando, ela lendo pra ele.
Roger é um homem valente, pois nunca desistiu de nada e sempre correu atrás e assim será, de sorriso no rosto e esperança no coração. Continua na rádio, pois tem uma família para manter.
Ele nos mostra que uma deficiência não é um monstro, apenas choca no começo, mas nada como o tempo para nos fazer adaptar a realidade, aos limites e levando a vida da melhor forma possível. Às vezes dá vontade de parar no meio do caminho, porém, sempre existe quem nos encoraje a prosseguir e continuar lutando até o fim.
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