Poema é arte de expressar o que sente, deixando a alma se expressar livremente, falando com o coração.
domingo, 24 de setembro de 2017
MARI
Mari é uma mulher de sessenta anos, olhos de um azul profundo e hipnotizante, seu cabelo loiro com algumas mechas brancas, fruto da idade e experiência de vida, alta e muito magra, herança de sua mãe, Ana. Quem a olha logo imagina, que mulher elegante, deve ser arrogante, rica e mimada.
Mari tem simplesmente um bom gosto para roupas e sua elegância vem dela mesma, não de uma riqueza que ela não possui.
Ela foi criada no campo, trabalhou toda sua infância e adolescência plantando legumes e hortaliças, como alface, couve, taioba... para sobreviver, juntamente com seus pais e cinco irmãos no norte do Brasil, em Roraima. Eles sempre passaram dificuldades, porém tinham união, paz e eram gratos. Viviam felizes mesmo trabalhando sob o sol forte todos os dias e comendo marmita fria sob um pé de jatobá, no qual se refrescavam do calor ardente. Mari, com quinze anos sempre ia a uma nascente a um quilômetro dali para pegar água fresca para matarem a sede.
Ela adorava ir lá só, pois assim podia ficar com seus pensamentos, sonhando com uma vida que não tinha, com uma adolescência igual a de outras garotas da sua idade, que ela assistia pela TV. Ela estudava pela manhã, sua escola era muito fraca no sentido educacional, mas era o que ela tinha e se esforçava, dedicava-se aos estudos quando chegava em casa após ajudar sua mãe a fazer as tarefas domésticas, cozinhar...
Quando acabou seus estudos aos dezessete anos decidiu mudar-se para uma cidade maior, ter mais oportunidades, ser empregada doméstica e dormir no serviço, assim economizaria com aluguel. Uma parte do salário mandaria para os pais e com a outra parte pagaria um cursinho para fazer vestibular e pagar transporte, sonhava em fazer faculdade e ser uma professora. Sonhava em ensinar àquelas crianças o que sabia, queria que elas tivessem uma vida melhor e lutassem por isso, acreditassem que eles poderiam fazer qualquer coisa, porém com honestidade e humildade. Ela conseguiu um trabalho através de sua professora Rita, que tinha parentes em Boa Vista, na capital, no qual a contrataram imediatamente, pois gostaram dela e concordaram que ela sairia todas as noites para ir estudar. Eles lhe deram as cópias das chaves de casa, regras e horários das refeições.
Ela no dia seguinte conseguiu uma folga pela manhã para fazer o que precisasse, como: se inscrever para o cursinho, cortar o cabelo, fazer as unhas das mãos e pés, pois onde morou não existia esse tipo de coisa, mas na cidade grande não queria se sentir envergonhada perante os colegas e professores. Era uma jovem muito bonita e educada, tímida, dedicava-se ao estudo quando chegava do cursinho a meia- noite, pois vinha para casa de ônibus. Ela era tratada quase como uma filha, mas com obrigações domésticas. Sua rotina passou a ser trabalhar até às 5 e meia da tarde, ir para o cursinho que começava as sete, sair de lá às onze, pegar um ônibus, chegar em casa a meia noite e estudar só dormindo três horas por noite, pois só conseguia pegar no sono lá pelas três da madrugada. Essa rotina permaneceu por anos, pois após o cursinho ela conseguiu passar no vestibular para faculdade de letras e formou quatro anos depois. Na faculdade no quarto período ela conheceu Pablo, um negro bonito; alto, olhos castanhos, cabeça raspada, forte, simpático, com um sorriso de tão branco que deixava todas as mulheres hipnotizadas; inteligente e assim como ela, dedicado aos seus objetivos. Começaram a namorar e assim, um ajudava o outro. Logo que se formaram resolveram ficar noivos, pois assim que os estágios deles acabaram, ambos foram contratados- ela por uma escola primária e ele por uma do ensino fundamental e médio, embora fosse ensinar apenas para o médio.
Um ano após eles se casaram, no qual,os patrões de Mari dá a casa onde ela trabalhou foram seus padrinhos de casamento, como forma de agradececimento por tudo que fizeram por ela.
Mari e Pablo foram morar em sua casa que conquistaram após economizarem durante o noivado e as casas no norte não serem tão caras como no restante do país.
Nas férias eles foram visitar seus pais, pois no casamento eles não tiveram condições de ir. Os pais de Pablo moravam também no interior, a 200 quilômetros da cidade dos pais de Mari. Foi uma felicidade enorme quando se reuniram, tanto na casa dos pais dela, quanto na casa dos pais dele.
O casal se amava muito e a realização do sonho deles de ensinarem completava tudo isso,apesar dos desafios diários de educadores numa região que praticamente não recebe os incentivos do governo, se compararmos as regiões principais, sul e sudeste.
Eles descobriram que não poderiam ter filhos, foi uma tristeza para ambos, mas também não poderiam pagar por um tratamento tão caro, pois eram professores públicos do estado e não ganhavam tão bem. Eles então foram ao cartório afim de adotar uma criança, pois pretendiam ser uma família. O processo é longo e burocrático e quando foram ao orfanato da cidade viram muitas crianças, mas apenas Luan chamou atenção do coração deles, um menino de quatro anos, moreno, magro, pequeno, alegre, sem um dos braços por má formação, esperto, falava muito e não parava um minuto. Eles não tiveram dúvidas de que queriam aquele menino e o processo de adoção começou, duas semanas depois eles conseguiram levá-lo para passar uns dias em sua casa, depois passou a ser meses, a assistente social sempre a fazer visitas para ver a adaptação da criança, mas tudo parecia estar perfeito até que conseguiram a adoção de Luan, ainda que não permanente, mas provisória e isto lhes dava muita alegria, pois já amavam o menino como um filho.
Ele frequentava a creche enquanto os dois trabalhavam, quando Pablo ia buscá-lo dava banho, o trocava, adiantava o jantar para ajudar Mari e para o menino não comer tão tarde, brincava com ele até a mãe chegar,terminar o jantar, dar-lhe comida, ensiná-lo a ler, contar uma estória para ele e po-lo para dormir às 8:30 da noite, pois liam muito sobre como é importante uma criança dormir muito e bem para ajuda-lo a crescer saudável. Eram como quaisquer pais; o educavam, davam amor, carinho, limites, uma família, um lar e avós que o amavam depois de ve-lo, pois antes os criticavam. Como pode, tanto bebê aí bonito e "perfeito" e vocês escolheram um já grande e aleijado?Quando o viram tudo mudou. Foi paixão instantânea, tanto dos avós, quanto dos tios e primos. Eles viram que amor não vê aparência, gênero, cor, apenas se sente e vive.
SAMARA
Samara é uma mulher madura, com seus quarenta anos, mas ainda com aparência jovial de pele negra, olhos acinzentados, cabelos acobreados, poucas marcas de expressão no rosto, uma risada cativante e simpatia que envolve todos a sua volta, pois expressa uma aura leve de menina. Mora sozinha no seu apartamento em Belo Horizonte-MG, que ela conquistou com árduo trabalho ao longo dos vinte e cinco anos na empresa de publicidade, vaga que conseguiu no estágio na época da faculdade pública, devido seu talento e potencial criativo lá ela permanece e hoje é sócia.
Ela é filha única, pois sua mãe teve um problema no parto e tivera que retirar o útero, ou morreria.Todavia, Samara é solidária, não foi muito mimada, apesar de não ter irmãos, pois suas amigas da escola e da vida ajudaram- na a suprir a solidão, assim como seus livros de aventuras e romances. Hoje ela tem pelo menos dois livros no seu criado-mudo como passatempo, pois seus pais sempre ensinaram-na a importância da educação, da leitura e do amor pelo próximo e principalmente por si mesma. Seu pai era encanador e sua mãe, professora do primário numa escola pública estadual em Monte Azul-MG. Eles faleceram há dois anos num acidente de carro, que a filha dera poucos anos antes e pagou a aula de habilitação do pai.
Namorava Eduardo há quatro anos, e ele infelizmente sonhava em casar-se com Samara que já disse desde o início para ele que não acreditava em casamento. Um homem forte, alto, cabelos escuros, mas muito conservador nos pensamentos, mesmo sendo dez anos mais jovem que sua amada.
Ela não deseja casar-se nem com ele nem com ninguém, nem constituir família, mesmo amando-o muito, ao contrário de suas amigas de infância e adolescência que escolheram constituir suas próprias famílias, talvez para saírem das regras dos pais, ou simplesmente para realizar seus sonhos de contos de fadas e serem donas de casa de comerciais, mães e hoje estão todas frustradas, infelizes. Porém, ela nunca fez as amigas pensarem como ela. Escolha alheia é algo que não se opina, apenas fica do lado da pessoa quando ela vê que tomou as decisões erradas e tenta aconselhar da melhor forma e apoia-las. Ela é uma tia orgulhosa dos sobrinhos do coração.
Suas amigas sempre tentam persuadi-la a casar-se com Eduardo, que a ama tanto e ele irá cansar uma hora e ela acabará só. Que isso é triste, mas nada disso a faz mudar de opinião. Se caso ficar só, fazer o quê? Será uma escolha dele e ela o quer feliz, seja com ela ou não. Ela até admira as amigas por serem fortes e não terem desistido dessa vida que levam e tentarem algo diferente.
Samara sempre foi firme em suas opiniões, sempre fora forte e conseguiu superar a morte dos pais apesar da falta que fazem na sua vida. Ela sempre foi carinhosa e paciente com eles, ligava toda semana e dizia o quanto os amava.
O seu único arrependimento foi não tê-los trazido para morar com ela em BH, mas no fundo sabia que não iriam, que a vida deles era na cidade pequena com as pessoas que conheciam há anos, na casinha reformada deles e com seus velhos costumes.
Eduardo era engenheiro elétrico e na empresa em que trabalha chegou uma nova funcionária, Giovana, uma mulher bonita, atraente, mas discreta e o atraiu. Ele se puniu por sentir atraído por outra mulher. Ela também se sentiu atraída por ele e ambos sentiram uma afinidade inexplicável, pois assim como ele, Giovana era engenheira e agora trabalham juntos. Eles acabaram trocando olhares em um almoço e sem pensar ele tocou a mão dela e mais tarde, no carro ele a beijou e ela correspondeu. Pelo resto do dia ele não a encarou, não por não gostar do beijo, mas sim porque a culpa o corroía por dentro. Ele apareceu na casa de Samara a noite e ela ficou preocupada pois ele aparentava estar chateado e abatido. Ele sentou no sofá frente a ela e pediu perdão, mas não podia mais namorá-la. Por que? Ela perguntou. Ele só disse a verdade, que havia conhecido uma nova colega de trabalho e havia se envolvido com ela além do profissional e que ela queria uma família,assim como ele. Ela o abraçou e ambos choraram, mas ela o desejou felicidade e foi sincera, pois ele a fez feliz por um longo tempo e ele merecia ter o que ela não poderia dar.
Ele foi embora cabisbaixo e quieto. Ela foi para o quarto e chorou até adormecer.
Ela trabalhou arduamente durante os próximos dias, visitou as amigas, tirou uns dias de folga para ver sua melhor amiga, Ane que se mudou com o marido para a Bahia, devido o trabalho do marido, que fora transferido. Foram dias maravilhosos, pois conversou bastante com a amiga, passeou, curtiu os sobrinhos, ficou com um baiano com conheceu em um bar numa das praias de Salvador.
Ela voltou para BH, adotou um cachorro nesses abrigos de cães abandonados e lhe deu o nome de Bob. Cuidava dele com todo amor e quando voltava para casa ele e seus livros eram suas companhias e prazer e estava feliz.
Ela provou para si mesma que não precisava de um homem ou filhos para se sentir feliz e realizada na vida, mas se você só acha que é feliz formando uma família, que seja. O importante é sentir bem e amado, seja por pessoas como os amigos ,seja por seu animal de estimação.
Samara se sente feliz agora, mas pode não sentir no futuro, pode mudar de ideia e arrumar um companheiro para morar com ela, ou não. Tudo pode mudar a cada segundo. A vida é assim.
E você?...Você é feliz do jeito que está?
AMIZADE SEM BARREIRAS
Rebeca, uma menina esperta, de uns seis anos, cabelos ruivos trançados, nariz e bochechas cheias de sardas, olhos grandes castanho- esverdeados, gordinha, ela adorava brincar. Seu melhor e único amigo era Vitor, um garoto da mesma idade, era negro, de olhos pretos, cabelos pretos e afro e ela era também sua única amiga. Todas as crianças de sua turma e até mesmo da escola riam deles, tiravam sarro por serem como são. Muitas vezes Rebeca chorava sozinha no seu quarto. Ela ficava triste e muitas vezes comentava com o amigo, os dois se davam as mãos e enfrentavam juntos as brincadeiras bobas dos coleguinhas.
Um dia, porém, ela teve coragem e disse aos seus pais, pois seu pai a viu chorar assim que chegou da escola, logo foram à escola, seu pai José, muito bravo fez seus colegas pedirem desculpas para ela e seu amigo, nunca mais ninguém zombou de ambos.
Mas a vida nunca é justa ou perfeita e seu pai foi transferido para uma cidade bem distante para trabalhar e sua família o acompanhou. Foi muito choro e abraços dos dois amigos.
A amizade das crianças chegou ao fim, seus pais pensaram, mas amizade verdadeira nunca acaba. Graças às redes sociais os dois se falam sempre, também jogam juntos e esperam que seja para sempre esse sentimento tão forte e bonito, que supera qualquer barreira.
STAR
Star era uma estrela muito esperta. Assim que nasceu, sua mãe Frida, já com milhares de anos, deu-lhe o nome, pois já via naquela estrelinha, um brilho diferente. Ele quando pequeno amava brincar nas nuvens de esconde- esconde, de saltar nuvens. Seus melhores amigos eram dois pardais, Tico e Gaspar, filhotes que também amavam brincar com Star. Ele adorava provocar outras estrelas mais velhas e muitas vezes sua mãe o colocava de castigo, sozinho na nuvem e o proibia de brincar por um dia todo e o brilho dele se apagava, quase não o via da Terra. Seu pai, o cometa Bob, quase nunca o via, pois vivia passando por todo o mundo, encantando a todos e recebendo vários pedidos. A fé que as pessoas têm o impressionava.
Star foi crescendo, oras rebelde, oras boa estrela.
O sonho dele era fazer parte do cruzeiro do sul, ele teve que se esforçar, se comportar, pois as estrelas do cruzeiro do sul eram famosas, entao ele fez o q pediam, muitas vezes ele queria desistir, mas seu brilho era muito grande, sua mãe sempre o convencia a persistir, depois de um longo tempo as estrelas reconheceram que ele poderia ser a estrela e o chamou pra fazer parte do cruzeiro do sul. Foi o dia mais feliz da sua vida.
Hoje Star ilumina nossas noites, mas sempre querendo algo mais. Isso que o faz viver, lutar pra ter outros sonhos e alcançá-los.
ROGER
Um dia de muito sol nascia Roger, um menino valente, corajoso, mas frágil fisicamente. Ele nascera com uma má formação na retina, que nem cirurgia resolveria, portanto, o garotinho ficara cego desde o nascimento.
Não foi nada fácil para Michele e André receberem a notícia daquele modo. Houve um certo desespero. O que fazer agora? Como cuidar de uma criança deficiente? De algo eles tinham certeza_ o amariam ainda mais e cuidariam dele, dando o melhor deles, mesmo sem saber se o que estavam fazendo era o certo, mas que pais sabem o que é certo como pais de primeira viagem?
Eles o levaram a um oftalmologista e a uma associação para deficientes visuais para saberem como lidar com ele e ensiná-lo a ter uma vida mais independente, se adaptar.
Os pais não o mimavam em excesso, pois seria prejudicial para a independência dele. Ele era moreno, forte, esperto, sorridente e às vezes bem bravo.
Todos amavam brincar com ele, pois dificilmente estranhava alguém.
Ele já com um ano estava começando querer andar sozinho, era independente, já sabia se arrastar por toda a casa sem bater em nada.
O tempo passou, ele cresceu e tornou-se um rapaz bonito e independente. Ia a todos os lugares com sua bengala, às vezes contava com ajuda das pessoas, e fazia até café sozinho.
Ele era brincalhão, e fazia todos rirem a sua volta. Era estudioso, mas não do tipo nerd, era bem sociável.
Seu maior sonho era trabalhar em uma empresa, mas mesmo já tendo se formado em psicologia, não conseguia vaga em nenhum lugar.
Como tinha uma voz forte, marcante, ele procurou por emprego numa rádio da sua cidade de Mineiros, em Goiás e por uma graça grande, eles lhe deram um emprego como radialista, para dar as notícias das dez dá manhã até o meio-dia. Ele não estava mais suportando ficar em casa sem nada para fazer, sentia- se um inútil e às vezes ia a associação para deficientes visuais. Ele já havia aprendido muita coisa, inclusive ler e escrever em braile, na verdade ele só continuava indo para não perder contato com os amigos que fez por lá, especialmente Giovani seu melhor amigo. Eles saiam e divertiam-se juntos, tinham uma afinidade de irmãos.
Ele estava com vinte anos e nunca havia ficado com ninguém.
Um dia ele desabafou com seu amigo, que gostava de uma moça, Alexia, uma adorável ouvinte da rádio. Ela o reconheceu na praça um dia a noite quando o ouviu conversar com Giovani, pois sua voz era inconfundível e logo se aproximou, pediu desculpas por incomodar e se apresentou. Conversaram por um tempo, deram boas risadas e bastou para ele se encantar por ela. Ele mal sabia que ela também se encantou por ele, mas não tinha coragem para dizer-lhe. Neste assunto era muito tímida. Não conseguia ser moderna que chega no homem e já o seduz. Ela não sabia como ser sexy, embora para Roger ela era muito sexy, mesmo sem poder vê-la. A voz rouca e alegre dela quando falava, sua risada escancarada sem vergonha de ser ela mesma. Era mais sexy do que usar uma roupa provocante, da qual ele não podia ver.
Um dia trabalhando na rádio, uma ouvinte liga e pede uma música e pra sua surpresa era Alexia, porque ela fez mais do que pedir uma música atual, sua amada pediu Como é grande o meu amor por você e disse: Roger, essa música é para você, pois descobri que eu te amo. O colega pôs a música para tocar.
Ele simplesmente ficou sem fala, emocionado e conseguiu dizer um eu te amo com a voz embargada com tamanha emoção.
Seu amigo Giovani e Alexia haviam armado tudo isso, juntamente com o colega de rádio, Nathan. O programa de Roger saiu do ar e ele saiu para se encontrarem, mal sabendo ele que ela já estava lá esperando-o ansiosa.
Giovani apareceu e o guiou até ela e ele sem entender o porquê de seu amigo estar ali, mas começando adivinhar o que estava acontecendo. Alexia o abraça pela cintura e ele sentindo seu perfume que o inebria sempre também a abraça por um longo tempo e em silêncio ele toca seu rosto e vai beijando-a até encontrar seus lábios e beija-la suavemente.
Eles começam a namorar e em seis meses se casam. O dia mais feliz de suas vidas. Um casamento bonito, mas simples, sem luxo, pois não tinham dinheiro para gastos supérfluos, apenas compraram uma cama de casal, guarda roupa, pois morariam com os pais de Roger. Ambos não tinham condições de alugar uma casa, comprar móveis e pagar contas básicas, comprar comida, mas ajudariam os pais dele no que fosse possível.
A relação deles era de harmonia, cumplicidade, diálogo, respeito e muito amor. Discussões bobas raramente tinham, mas é normal, nada que uma conversa e uns beijos não resolvam.
Passaram-se alguns anos e ele conseguiu uma bolsa para seu mestrado, quando Alexia o surpreendeu com uma gravidez.
Ele quis desistir, mas ela não deixou. Nunca se deve desistir do sonho, ou deixar passar oportunidades, pois às vezes elas só passam uma vez na vida.
Ganharam Brenda e seis meses após ele conseguiu passar no seu mestrado. Foi uma grande vitória, pois ele e Alexia passavam a noite estudando, ela lendo pra ele.
Roger é um homem valente, pois nunca desistiu de nada e sempre correu atrás e assim será, de sorriso no rosto e esperança no coração. Continua na rádio, pois tem uma família para manter.
Ele nos mostra que uma deficiência não é um monstro, apenas choca no começo, mas nada como o tempo para nos fazer adaptar a realidade, aos limites e levando a vida da melhor forma possível. Às vezes dá vontade de parar no meio do caminho, porém, sempre existe quem nos encoraje a prosseguir e continuar lutando até o fim.
LUANA
Nas montanhas da Irlanda mora uma bela moça, Luana Moretini. Uma loira de baixa estatura, corpo magro, cabelos encaracolados de um loiro quase branco na altura dos ombros, olhos esverdeados.
Seu maior prazer é cuidar das flores do seu jardim e da casa, que seja pequena, é bem decorada e cuidada. Foi criada por uma avó materna, Sra. Suzan, pois seus pais morreram numa viagem de trem. Luana foi uma das poucas sobreviventes e com pouquíssimos arranhões, a não ser uma cicatriz no braço esquerdo,devido a tombada do trem e ela ter caído, um dos cacos de vidro da janela a cortou.
Sua avó fora educada com muito rigor e assim também tratou a mãe de Luana e a garota anos depois. Carinho através de toque não tinha recebido, portanto, não conseguia expressa- lo a ninguém, nem mesmo ao marido, filhos, ou neta. Aparência contava muitíssimo para dona Suzan. Afinal, o que falariam dela se vissem sua casa suja?
Ela limpava a casa e arrumava com afinco todos os dias, nada poderia estar fora do lugar que ela arrumava e brigava pela bagunça.
Luana tem trabalhado na casa de dona Sara desde os dezessete anos limpando a casa e hoje com vinte e três anos é isso que a sustenta. Sua avó a ensinara ler e escrever em casa, pois naquela região não era permitido meninas estudarem, mas ela pensava que meninas devem saber ler e escrever para não serem ignorantes nem mesmo enganadas.
Sempre que lia os romances que dona Sara lhe emprestava ela sonhava acordada com o amor da sua vida, o Robert, embora um amor fosse impossível. Ele era rico e filho de sua patroa, um homem alto, moreno, ombros largos e sorriso encantador, simpatia sedutora.
Ele nunca a olhou da forma que ela ansiava, mas Luana não perdia a esperança. Ela queria casar- se com seu amado e formar uma grande família. Achava lindo uma casa cheia de crianças e ver toda a familia sentada a mesa para fazer as refeições.
Luana era religiosa, vivia rezando e agradecendo a Deus por estar viva, apesar de muitas vezes ter lamentado por não ter morrido ao invés dos pais. Era só dá boca pra fora, porque a verdade é que amava viver e admirar as belezas da vida.
Seu avô, o sr. Richard trabalha como maquinista numa ferrovia e como trabalha viajando só vai para casa uma ou duas vezes ao mês e lá permanece por uns três ou quatro dias e raramente tira férias desde a morte de dona Suzan há quatro anos por um AVC grave. Como ambos são resistentes a hospital e o mais próximo fica há 200 km de carro, a avó não resistiu e faleceu aos setenta e dois anos, deixando sr. Richard após cinquenta anos de matrimônio, seis filhos e doze netos, incluindo Luana, a mais velha. Foi um luto doloroso para ela, porque a família é distante emocionalmente e fisicamente, pois todos moram muito longe e raramente se reuniam. O avô passou a vir cada vez menos para casa e ela se sentia solitária. Ela trabalhava com mais afinco agora para esquecer da solidão tão presente em sua vida.
Um dia de profunda desilusão ela resolve tomar um whisky do avô e após estar embriagada bate na porta da casa do Robert e ele atendeu,assustado com a presença dela ele a fez entrar. Ela se declarou pra ele, que a vendo embriagada a convidou para seu quarto e de um jeito romântico, mas sem sentimentos por aquela bela mulher, ele a fez mulher. Antes de amanhecer ele a fez ir embora, pois a mãe poderia ve- la ali e despedi-la . Ela nunca se sentiu tão envergonhada e humilhada, apesar da noite mágica. Foi embora à francesa e correndo de cabeça baixa chegou em casa, tomou um banho, se trocou, comeu algo e foi trabalhar como se nada tivesse acontecido, mas mortificada por dentro.
Depois de alguns dias ela começou passar mal todos os dias e preocupada, dona Sara a levou ao médico na cidade mais próxima, em um médico conhecido e após exames descobriu- se que estava grávida já de algumas semanas.
Ambas ficaram chocadas, mas no fundo Luana estava feliz,além de agora ter um incentivo pra lutar, ela teria um filho de seu amado.
Sua preocupação maior era contar sobre o pai do bebê para dona Sara. A sua patroa a pressionou e ela contou a verdade cheia de vergonha. A patroa quase a demitiu,mas não fez.
Ela voltou para casa,contou ao avô,cheia de alegria, que na mesma hora a mandou para fora de casa, pois ela desonrou a casa dele. Ela implorou,chorou muito, porém, ele não mudou de ideia.
Ela volta com a mala na mão e conta para dona Sara e Robert, o que seu avô fez.
Em poucos dias casaram, assim não teria tanto falatório.
Ela estava radiante por um lado, pois agora estava com seu amado e formando uma familia como tanto sonhara.
Por outro lado, ele não a tocava mais, mal a olhava nos olhos,sequer lhe dirigia a palavra, mas com o passar dos meses eles começaram a se conhecer de verdade, através do jeito de ser de ambos. Ela passou a amá-lo cada dia mais e os sentimentos dele começaram a mudar e ele a viu diferente. O bebê crescia bem e saudável, com dona Sara preparando todo o enxoval juntamente com Luana, todos começando a se tornar uma família de verdade. Um lar. Quando o bebê nasceu, uma linda menina, careca, morena e magra como os pais, a pequena Catarina.
Luana passou a se sentir completa e amada sem o vazio de antes, mas sem nunca esquecer de quem amava, até o avô a perdoou após o casamento e voltou para casa mais vezes para ver a bisneta.
A vida tem suas dificuldades, seus momentos de querer jogar tudo para o alto, mas também tem flores e arco- íris. É a vida com jardins floridos e ervas daninhas no meio.
SAPOTi
Sapoti é um sapo muito esperto, não pode ver um inseto distraído voando ao seu redor que sua língua enorme devora o pobre inseto.
Ele vive na Amazônia, mas com os desmatamentos, os lagos acabam secando devido o calor, pois evaporam. Ele estava um dia triste, sem saber o que fazer, onde iria morar. A rã Papoula, sua namorada, tenta animá-lo:_ vamos explorar essa floresta, Sapoti, nós pulamos alto podemos encontrar algum lago por aí em bom estado, com água fresca pra gente ficar.
Ele não acreditava muito nisso, mas deu um voto de confiança para ela.
Ambos saíram saltitando o mais alto que podiam para ver se achavam algo e encontraram um pequeno lago, muito distante de onde moravam e chegaram exaustos. Beberam água e descansaram, mas eles mal sabiam que existiam outros seres que viviam la,como o sapo boi, Guru. Houve uma briga para ver quem domina o lugar entre os dois sapos, mas como combinado entre eles, ficaria quem ganhasse e o perdedor iria embora e Sapoti precisou ir embora cabisbaixo e sozinho, Papoula foi presa pelo Guru.
Ele pulou e pulou, mas nada achou e quando viu, estava fora da floresta e havia muitas pessoas, barulho, carros, fumaça, poluição. Ele estava muito assustado.
Onde estou? Ele estava em Manaus. Uma cidade grande e bonita, muito agitada para um simples sapo.
Ele não sabia que pessoas têm nojo e pavor de sapos, outras porém, têm amor ao ponto de tê-los como coleção em pelúcia.
Ele saiu saltitando pela beirada dá rua até encontrar uma porta aberta.
Enquanto isso, Papoula consegue fugir do sapo Guru e procura seu namorado por toda a floresta tentando se esconder ao máximo do sapo boi, mas nada e lágrimas caem do seu rosto de rã.
Sapoti entra em uma casa grande, mas aparentemente vazia, ele pula por toda ela em busca de água para ficar até que encontra um lugar úmido, com pequenas poças de água pelo chão, ele estava no banheiro, recém usado e satisfeito em estar ali, mas ansioso, preocupado. E se alguém o visse lá, o que fariam com ele?
Aline chegou da escola cheia de energia e quando foi tomar banho encontrou seu mais novo amigo e bichinho de estimação. Ela o pegou cuidadosamente e com carinho o pôs numa vasilha de água até comprar um aquário para ele e o apelidou de brochinho, pois sempre que ela voltava da escola ela não se desgrudava dele e vice versa.
Ele estava feliz,agora tinha água para se refrescar e hidratar sua pele, tinha moscas mortas para se alimentar, agora não tinha que gastar sua língua para pegá-los no ar, tinha uma amiga, apesar de sentir falta de Papoula. Ele as vezes se distraia em seu novo lar, o aquário pensando no quanto se sentiu impotente por deixá- la lá com aquele sapo tão metido a valente. Ele prometeu a si mesmo que um dia iria voltar a floresta para buscá-la. Ele ficava triste, mas bastava ouvir os passos ansiosos de sua amiga para ficar contente de novo. Passavam todas as tardes juntos e só se separavam quando ela ia jantar e dormir. Aline tem seis anos, com seus cabelos pretos, lisos e muito compridos, morena, com os dentinhos de leite caindo, como todas as crianças da sua idade.A mãe de Aline ficava contente com amizade deles, mas preocupada com a reação da filha se aquele sapo resolvesse ir embora um dia.
O sonho dele era ter as duas ao lado dele e saiu pulando, Aline o seguia sem entender o que estava acontecendo, sem saber porque seu amigo fugia dela. Quando se deu conta ela já estava dentro da floresta e não sabia voltar para casa sozinha. Ele coachava insistentemente para Papoula ouvi-lo e reconhecê-lo e funcionou, pois ela o ouviu e coachava agudamente até se encontrarem novamente.
Aline chorava de medo, porque se via perdida ali naquela floresta escura,fria, úmida, mas Sapoti sabia o caminho de volta, afinal ele é um sapo e sabe andar naquela floresta com olhos fechados. Ele e Papoula iam a frente e a chorosa garota os seguia,agora se sentindo mais segura do que antes. Quando chegaram a sua casa, havia carros de polícia, seus pais choravam e quando a viu saíram correndo para abraçá-la e verificando se ela estava bem, felizmente nada sofrera.
Aline explicou aos pais e a polícia que seu sapo apenas foi buscar a namorada na floresta e como ela teve medo de perdê-lo, ela o seguiu e depois que ele achou a rã, eles a trouxeram de volta para casa e que agora teria dois amigos.
Entretanto seus pais não mais permitiram aquela amizade, pois temia a segurança da filha outra vez e os fizeram voltar para seus lares. Eles foram embora tristonhos. Ela adoeceu de saudade e tristeza por estar sem seus amigos.
O tempo passou e ela foi melhorando com o passar dos dias... Logo seus pais arrumaram um cachorrinho de estimação e seu ânimo voltou. Ela não esqueceu seus velhos amigos, nem os substituiu, ela apenas seguiu sua vida. Uns saem,outros entram em nossas vidas, faz parte.
Sapoti e Papoula permanecem na floresta em busca do lago certo para terem seus girinos e formarem família.
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