Cara,
tenho pensado tanto em minha vida ultimamente: os erros, acertos, arrependimentos, medos… Mas vou voltar uns anos para vocês
entenderem melhor, só não me julguem, ou julguem se quiserem, só
eu sei porque fiz tais escolhas. Sou Jordana, moro numa cidade
grande; e sim, estou na faixa dos trinta e tantos.
Aproximadamente
uns dez anos atrás…
Eu
sempre fui uma mulher extrovertida; brincalhona; aconselho minhas
amigas sempre que me procuram, mesmo sem muita experiência no
quesito amor, relacionamentos. Embora eu seja expansiva, como disse
antes; o que eu achava que atrairia os homens, por eu ter um bom
senso de humor, ser leve e tal, isso afasta os caras, pois acham que
estou dando em cima de todo mundo, que sou muito dada; ou
simplesmente encontrei os caras errados. O que é muito injusto, já
que sempre soube me comportar bem, me impor. Eu sei o que quero, e
sempre valorizei muito a pessoa com quem me relaciono, até demais,
pelo que percebi. Fazia o que podia pra agradá-lo. Hoje acho que
usavam meu jeito de ser como desculpa para me deixarem; ou me fazerem de boba, brincavam com meus sentimentos. Eu ficava
deprimida por uns dias, claro. Eu chorava, tomava sorvete, como nos
filmes, e depois bola pra frente. Então me cansei desse ciclo
interminável, e resolvi ficar um tempo sozinha. Eu queria aproveitar
minha vida de solteira saindo com minhas amigas; fiz o que tinha
que fazer, no sentido de cumprir meus objetivos de vida, no entanto, a carência bateu a minha porta, pra dizer a
verdade, ela estava esmurrando a porta. Fazia um ano que eu
não ficava com ninguém, e eu tinha a necessidade de sentir o toque
de uma pessoa em meu rosto, ficar de mãos dadas, ficar abraçada,
etc. Esse etc deu calor só de imaginar... Enfim, por causa dessa
carência, entrei numa gelada. Um dia fui almoçar
com Carina, e estava com uma rasteira de pedraria, uma calça
pantalona azul marinho, uma camisa verde água com as mangas
dobradas, um colar alongado, um coque, brincos bem pequenos, e uma
leve cor nos lábios. Tinha saído há pouco tempo do consultório
para conversar com minha amiga. Eu sou terapeuta de casais, pois
depois de aconselhar tanto as amigas, percebi que era isso o que eu
queria fazer como profissão, e amo. Alguns dias são difíceis, pois nada é perfeito. Eu
notei que um homem não parava de me olhar, e ás vezes nossos
olhares se cruzavam. Ele parecia ser mais baixo do que gosto, mas ele
tinha um charme, um olhar penetrante indescritíveis. Algumas vezes
eu sentia percorrer um arrepio pelo meu corpo. Ele levantou de sua
mesa e quando achei que estava indo embora, aquele homem estava se
direcionando para a nossa mesa. Eu estava nervosa, e nem escutava o
que minha amiga dizia, ela então percebeu algo estranho quando ele
nos cumprimentou. Eu gaguejei um pouco de tão nervosa que estava, e
me odiei por isso. Ele se apresentou e disse que se chamava
Alexandre, perguntou se podia se sentar conosco, mas Carina disse que
não o conhecia, e precisava conversar comigo. Eu quis matá-la na
hora, no entanto, eu entendi. Ele tinha o cabelo curto e espetado, mas com as laterais num grisalho sexy, uma voz grave,
em um tom baixo, que prefiro nem pensar. Ele me deixou um bilhete
escrito em um guardanapo o seu telefone, dizendo o horário
disponível, e com um sorriso malicioso olhou fixamente para mim com
aqueles olhos castanhos, mas com cor de folha seca, e piscou. Quase
caí da cadeira. Que homem era aquele? Fiquei sem palavras, mas dei
um sorriso malicioso em troca. Ele se despediu e saiu do restaurante.
Aquele cara me deixou hipnotizada, ao ponto de esquecer minha
expansividade, e que minha amiga estava ali na minha frente. Nenhum
homem havia flertado comigo daquela forma. Os que conheci eram tão
diretos que dava preguiça. Eu acordei do transe com a bufada
que Carina deu ao perceber que eu estava flutuando, nem a ouvia. “Amiga do céu, o que aconteceu aqui?
Você parece que ficou em transe por causa dele. Você o conhecia?”
“Que nada, moça. Nunca o tinha visto antes, mas não parava de me
olhar da mesa dele, e tem algo que não sei explicar, me deixou
arrepiada, tremendo. Ninguém nunca flertou comigo daquele jeito.
Acho que vou ligar pra ele." “Você
tem certeza? E se ele for casado?” “Nada a ver, amiga”. “Ele
não precisa usar aliança pra ser casado, e você sabe.” “Eu
sinto que ele é solteiro, miga. Não seja neurótica. Sei que se
preocupa comigo, mas sei me cuidar.” Descobri que quando estamos fascinadas
(os) com alguém, nós ficamos surdas (os) pro que nos falam e
sentimos. Nossas defesas, precauções vão pro espaço. O medo de
perder todas aquelas sensações tão gostosas era enorme. Será que
é a carência? Não ouvimos nada além de nossas emoções, as
reações de nosso corpo, os hormônios gritando: EU QUERO ELE (A)
AGORA! Após me despedir de minha amiga, eu voltei ao
consultório, porém, mal consegui me concentrar nas sessões. E
assim que a última sessão acabou eu mandei uma mensagem para
ele:”Oi Alexandre, sou Jordana, do restaurante.” Ele me ligou na
hora, e conversamos por uma hora, e pensa numa conversa que fluía.
Eu voltei a ser a mulher que sou, e ele é calmo, educado, mas
alegre, sabe brincar e provocar de um jeito que formava um turbilhão
aqui dentro, meu rosto corava. Ele disse que amou meu jeito expansivo
(meu eu sabotador disse na minha cabeça: “vamos ver até quando,
né? Os outros diziam isso e sumiram com uma semana ou duas”,
procurei esquecer isso e me concentrar no cara), e disse
que tenho um sorriso lindo. Ele realmente sabia o que dizer pra
me deixar mais encantada, e louca pra estar nos braços dele o quanto
antes. A gente marcou de se encontrar em um restaurante e fui
com um vestido amarelo, que
numa pele negra fosca, a cor se destacou bastante;
um conjunto de calcinha e sutiã de renda branco; um sapato de
salto alto e fino nude; maquiagem
leve; cabelo com os cachos definidos
dando
volume; um
perfume levemente adocicado e marcante. Eu estava simplesmente
me achando linda. Quando cheguei ao restaurante ele já me esperava,
e ao me ver seus olhos brilharam, seu olhar foi de cima a baixo me
analisando, e parecia maravilhado. Eu corei na hora. Ele estava com
uma calça
cinza, uma camisa de manga comprida de um amarelo mais claro, com um
blazer de um xadrez cinza e discreto, tinha feito a barba e o
perfume. Aquele cheiro de frescor e meio amadeirado, que
quando se aproximou para nos cumprimentarmos quase o agarrei e
funguei seu pescoço ali mesmo, mas calma, eu me contive. A
conversa, assim como no telefone fluiu muito, e eu não queria ir pra
cama com ele aquele dia, mas estava difícil resistir, especialmente
depois do beijo, uma química no beijo que me deixou sem ar, nossos
peitos arfavam. Ele sussurrou no meu ouvido com a respiração
ofegante “na sua casa ou na minha?” “Ainda não. Hoje vamos
cada um pra sua casa”. “Eu não gosto de joguinhos, sei que você
quer tanto quanto eu.” “Eu não estou de joguinho, não tenho
paciência pra isso. Eu só quero te ver de novo outras vezes, e
tenho receio que se acontecer hoje não terei
mais notícias suas
depois.”
“Hmm… achei que confiasse mais no seu taco pra saber que depois
de hoje eu não iria deixar de te procurar.” Eu quase
caí
na lábia daquele ‘safado’, aquela sua provocação eu vi como
desafio, e ao contrário do que pensam, eu não cedi e fui para casa
depois de uns beijos deliciosos. E se ele não me procurar mais, vou
ficar chateada, porque ele tem uma ‘pegada’ forte, mas
pelo menos saí da seca de dar uns bons
beijos. Não
consegui dormir naquela noite imaginando o que poderia ter
acontecido, e cheguei no trabalho acabada na manhã seguinte, mas
disfarcei o que pude, meus pacientes precisavam de mim.
Carina
me deixou mensagem para saber se liguei para ele e lógico
que disse o que houve. Ela
ficou chocada que eu resisti e não dormi com ele. Cá
me conhece há anos, e sabe como sou fogosa, mas eu não quis mais
repetir meus erros. Na
verdade, eu nem esperava receber notícias dele de novo, já que ele
deve ter achado que fiz joguinho. Sei
que ele não é os outros caras, que não deveria comparar, mas eu
não queria correr o risco, e pela atitude dele de me perguntar em
que casa iríamos, acho que não passaria de uma noite, e estou cheia
de ter um cara para uma noite, ou uma semana. Eu me perguntei se
estava agindo certo, e apesar da consciência estar tranquila, a
insegurança me atormenta.
Dois
dias depois recebi uma ligação dele me chamando para conversarmos,
e marcamos para nos encontrarmos às 7 em uma praça, onde tem uma
feira. Eu vesti um
vestido acinturado, e ao mesmo tempo soltinho de
linho na
cor palha
, fiz
um rabo de cavalo alto, coloquei umas argolas não muito grandes, uma
sapatilha, um perfume frutado, pra dar mais frescor, pois estava tão
quente aquele dia. Ele
chegou depois de mim, e estava com uma camiseta polo
branca, uma bermuda caqui e um sapatênis branco sem meia, sem falar
no seu perfume indescritível, que me enlouquece. Ele
estava um gato!
Nós
falamos sobre aquele dia, a gente se conheceu mais um pouco, no
entanto, ele sempre me deixa na incerteza se o que diz é verdade, ou
só fala
aquelas coisas
para me seduzir, ele parece o cara ‘perfeito’, e sei que esse
homem não existe. A conversa com ele flui tão bem, não sinto
vergonha de ser eu, mas e se…?Fomos
para seu carro, ele me encostou no poste e me beijou; e
quando me beija eu
esqueço de tudo.
Embora eu tenha
incerteza sobre ele, seus beijos, nossa química, seu cheiro, seu
jeito de conversar, estavam me deixando envolvida, não sei quanto
tempo mais eu conseguiria resistir. Se na cama formos como no beijo,
com certeza eu apaixonarei. Como
vou descobrir se o que diz é verdade, ou não? Isso me angustia,
então
resisti a mais um encontro e fomos embora. Saindo
do encontro fui à casa de Carina, e mesmo eu sendo a psicóloga, ela
é a mais sensata das amigas para aconselhar quando preciso. Eu
contei à ela como ele me fazia sentir, meu receio, e ela me
aconselhou resistir ao máximo, e pegar o nome completo dele para
investigarmos. "Ele me disse que era policial, mas que raramente ia
para a rua, pois fazia trabalho burocrático." “Jô,
faz o seguinte: faz mais perguntas sobre o trabalho dele, qual
delegacia ele trabalha, se é especializada em algo, tipo
investigação, ou é só prender gente que furta, pergunte mais
sobre a família dele, quanto tempo saiu da casa dos pais, se tem
filhos, ou foi casado, esse tipo de coisa básica, mas espere um dia
ou dois, só mande uma mensagem hoje dizendo que espera ter outro
encontro com ele logo e deseja boa noite.” “Será
que ele não vai desconfiar se eu fizer muitas perguntas? Não serei
muito invasiva? Eu tentei fazer umas perguntas pessoais, e ele
esquiva.” "Isso é estranho, Jô, mas faça essas perguntas, e se for o caso apareça de surpresa no trabalho dele depois de
descobrir onde trabalha, e veja a reação dele.” E se ele não
gostar? Ele é reservado, miga.” “ou está escondendo algo, né?”
Eu viro os olhos. “ olha a neurótica em ação.” “não sou
neurótica, só estou preocupada com você, e estranhando ele se
esquivar das perguntas pessoais. E outra, se você não estivesse
desconfiada não me procuraria, não se sentiria angustiada.” "Você
tem razão, não quero me envolver mais com ele tendo essas dúvidas
na cabeça e coração. Vou fazer o que disse. Obrigada, Ca.” Eu
enviei a mensagem para ele, passei na feira, comprei um caldo de cana, pastel, mingau de milho verde e fui pra casa. Eu adoraria ter alguém para comermos juntos, dormirmos de conchinha, mas já que não tenho, eu como enquanto assisto a um filme de romance e vou dormir. No dia seguinte eu ligo pra ele e conversamos um pouco, e sempre que tenho oportunidade lhe faço as perguntas que minha amiga me sugeriu, mas ele sempre esquivava, mudava de assunto. Quando lhe perguntei em que delegacia trabalhava, ele falou por alto, e como sempre fui boa de direção eu lembrei em que bairro ficava e me dirigi pra lá na hora do meu almoço, e dele também. Quando perguntei seu nome a um dos policiais, ele me olhou desconfiada e perguntou: "por que quer falar com ele?" "eu sei que ele está na hora do almoço, por isso vim aqui pra ter algumas informações sobre ele, que sempre se esquiva quando lhe faço uma pergunta mais pessoal. Você pode me ajudar?" "você tem uma foto dele pra eu ver se é o mesmo cara que trabalha comigo?" "claro, tenho uma que tiramos ontem." E quando eu lhe mostrei ele ficou tenso. "Moça, eu não deveria te falar sobre meu colega, mas não acho justo você ser enganada. Ele é casado há vários anos, tem uma família. Não sei o que ele disse a você, mas você deveria cair fora enquanto não está apaixonada, ou você já está?" "Moço, não entendi, ele sempre se encontra comigo à noite. Muito obrigada mesmo por me dizer a verdade. Não me apaixonei ainda e estava desconfiada o suficiente para não me envolver intimamente com ele. Ele estava perfeito demais, dizia tudo o que eu queria. Por favor, não conte pra ele que vim aqui." "homens sabem como dar uma boa desculpa quando querem aprontar, e você fez bem em pesquisar antes. E se mais mulheres fizessem isso antes de se apegarem, elas não cairiam em golpes, nem sofreriam tanto. Espere um segundo." Ele foi e buscou a foto de Alexandre com a esposa e filhos, com um sorriso radiante. Eu nunca me senti tão tola, ridícula e grata a Deus por ter colocado um homem bom ali e que me disse a verdade sobre aquele canalha. " Obrigada mais uma vez." "Fique tranquila, não direi nada a ele." Tchau. Estou tão decepcionada comigo mesma. É triste saber que quase caí na dele por causa da carência, e alívio ao pensar que foi um livramento eu saber a verdade antes de me entregar totalmente pra ele, então eu o bloqueei. Foi uma decisão difícil, pois há muito tempo não encontrava um cara com uma química como tive com ele, mas procurava uma conexão emocional também, e isso eu nunca teria com ele. E me fechei de novo para o amor, e agora nem a carência me faria ficar com mais alguém. Vou focar em mim. Carina me ligou e conversamos por um tempão, ela me deu o maior apoio moral e comecei a me sentir melhor. Tinha algo que eu não esperava. Na verdade, nem pensei na possibilidade que ele me procuraria na internet, e quando cheguei ao consultório ele me esperava na recepção, quase caí de susto, meu rosto ficou sem cor na hora. Ele percebeu, me ajudou a me sentar numa cadeira e me perguntou se eu estava bem. " Não, Alexandre, não estou bem. O que faz aqui? "Aline, pegue um copo de água na copa pra mim, fazendo o favor", "claro, doutora". Assim como você me pesquisou na internet pra saber onde eu trabalho, eu também fiz o mesmo e descobri que você é casado e tem filhos, canalha" falei isso baixo o suficiente pra Aline não ouvir e assim que tomei água o encaminhei pra minha sala. Eu só tinha paciente dali dez minutos. " você falou sobre nós pra Aline?" "Não, ela tentou especular, mas eu só disse que era um colega da faculdade e que passei pra dar um oi. Fiz mal?" "Não , tá tudo bem. Só queria entender. por que não me disse a verdade? Eu tinha o direito de saber e escolher se queria me tornar sua amante, ou cair fora." " você já escolheu cair fora, Jordana. Eu fiquei com medo que você reagisse mal, e vejo que soube sozinha e reagiu sumindo, me bloqueou. Eu esperava mais maturidade de você." Hahaha. Mais maturidade? Sério? Você é ridículo, Alexandre." "Você toparia ser minha amante se você soubesse por mim, e não pela internet?" "Talvez... eu não sei, mas vi que não posso confiar em você, e o que quero você nunca me daria. E pensando melhor agora olhando pra você, não, eu não seria sua amante, não faria isso com sua esposa. Nossos beijos, nossa química foi maravilhosa, mas preciso e mereço mais que só noites calientes. Agora vá cuidar do seu casamento e me esquece. Adeus, Alexandre." Quando ele saiu da sala sem dizer uma palavra, e de cabeça baixa, Aline entrou e pelo jeito que me olhou percebi que ouviu tudo atrás da porta. " O que foi, Aline?" "Nada, doutora, é que se a química de vocês era tão boa, por que não transou com ele pra ver se só o beijo era bom? Eu teria ido até os finalmente, e ele é gato. " "Porque eu sentia um alerta que havia algo de errado nele, pois era muito perfeito pro meu gosto, dizia tudo o que uma mulher quer ouvir, eu não sentia espontaneidade nele, sinceridade, era só mais um cara a fim de sexo, e eu não quero só isso, encerrei o ciclo. Cansei desse tipo de cara, Aline. Avise-me assim que o paciente chegar. Deixe-me sozinha, por favor. Terminei de tomar minha água e refleti sobre nossa conversa, mandei uma mensagem pra Carina dizendo que ele veio aqui, e que mais tarde eu daria os detalhes. Conheço minha amiga, deve estar se roendo de curiosidade. Eu rio sozinha quando Aline diz que o paciente chegou. Então, eu me posiciono e começa mais um dia de trabalho. Fui fazer um curso para me especializar mais na área, estudar pra ocupar a mente, e talvez preencher algo que está vazio aqui dentro, só não consegui ainda. Eu voltei a sair com as meninas, ou passar um tempo com meus tios que me criaram como filha, quando eu tinha um pouquinho de tempo. Esqueci de dizer, minha mãe morreu quando nasci, e meu pai me deixou com a irmã da minha mãe, e nunca mais eu soube dele, nem quero saber. Eu dou valor a quem me deu e me dá amor até hoje. Eu fiz muita terapia antes de decidir ser terapeuta e conseguir perdoa-lo, não permanecer com essa mágoa que me consumia e o sentimento de rejeição da única pessoa que deveria me amar e cuidar de mim, mas não quero vê-lo. Carência? Claro que sinto... Eu sinto falta dos beijos, dos toques no rosto, carícias, palavras de amor, não sou de ferro. Mas decidi que vou seguir em frente com minhas coisas: trabalho, estudo, curtindo as pessoas que amo... Não vou me deixar levar por conversa ou olhar que arrepia, não quero mais sofrer. Eu sinto falta de um relacionamento de verdade; um que dure por anos, não só umas semanas. Quem sabe um dia eu vá me curar de verdade, e perder o medo de cair numa furada? Claro que vários caras se mostram interessados, mas nenhum me toca de verdade, nem me faz sentir aquele frisson. Só espero que não demore muito, pois o tempo está passando como um raio. Eu permaneço sendo a Jordana expansiva, alegre, que ama viver e ajudar, ou seja, amando ser eu mesma.